ocde diz que o mundo tem o dinheiro e os meios para resolver a crise ambiental
05.03.2008
público
as soluções para os maiores problemas ambientais do planeta são “acessíveis, alcançáveis e economicamente suportáveis” quando comparadas com as perspectivas de crescimento económico e o custo das consequências da inacção, revela hoje a ocde (organização de cooperação e desenvolvimento económico) no lançamento do seu “environmental outlook” 2008, em oslo.
o relatório - que combina as projecções económicas e ambientais para as próximas décadas e simula políticas para solucionar desafios - elegeu como os problemas mais urgentes as alterações climáticas, perda da biodiversidade, falta de água e impacto da poluição na saúde.
sem intervenção, em 2030, as emissões mundiais de gases com efeito de estufa (gee, sigla em inglês) terão aumentado 37 por cento e em 2050, 52 por cento.
para responder às necessidades de alimentação e biocombustíveis, o mundo precisa aumentar a área agrícola em dez por cento até 2030.
outra das conclusões da ocde é que, em 2030, mais mil milhões de pessoas viverão em zonas com graves problemas de falta de água. as mortes prematuras causadas pelo ozono à superfície vão quadruplicar.
perante estes cenários, “os países precisam alterar a estrutura das suas economias, no sentido de um futuro com menos emissões de carbono, um futuro mais verde e mais sustentável”, comentou o secretário-geral da ocde, angel gurria.
“os custos desta mudança são suportáveis economicamente”, mas não se deve perder de vista a necessidade de “aproveitar as novas oportunidades”, acrescentou.
segundo o relatório, o pib mundial vai quase duplicar até 2030. segundo as simulações da ocde, custaria apenas um por cento desse crescimento a implementação de políticas que podem reduzir um terço a poluição do ar e conter as emissões de gee em 12 por cento, em vez do crescimento de 37 por cento previsto se nada for feito.
a ocde recomenda um “mix” de políticas como as taxas ambientais, a internalização dos custos ambientais, comércio de emissões, aplicação do princípio do poluidor-pagador e o fim de subsídios a actividades que prejudiquem o ambiente.
é importante ainda o investimento em investigação e a rotulagem ecológica.
quanto à partilha dos custos, a ocde diz que os países desenvolvidos e as economias emergentes devem dividir responsabilidades na questão das emissões de gee. tanto mais que, em 2030, as emissões de quatro países - brasil, rússia, índia e china - vão exceder as emissões dos 30 países membros da ocde. “a justa partilha dos custos será tão importante como o progresso tecnológico e a escolha dos instrumentos políticos”, escreve a organização.
“o custo global da acção será muito menor se todos os países trabalharem em conjunto”, comentou gurría.
o relatório “combina a esperança para o futuro com um apelo actual e urgente à acção. dá uma orientação importante para os decisores políticos e integra as análises económica e ambiental”, comentou o primeiro-ministro norueguês, jens stoltenberg, anfitrião da cerimónia mundial de lançamento.



