bali/clima: ue insiste «países desenvolvidos devem liderar»
o principal representante da união europeia (ue) na conferência de bali insistiu hoje que «os países desenvolvidos devem liderar» as negociações para o futuro climático após 2012, com redução de emissões de gases a curto-prazo.
as declarações surgem em resposta a críticas das grandes economias em desenvolvimento, como a china e a índia, e de relatórios apresentados em bali sobre os riscos da proposta da ue para uma redução das emissões com efeitos de estufa.
«a posição da ue é muito clara: os países desenvolvidos devem absolutamente liderar as negociações do futuro regime climático», explicou hoje nuno lacasta, o principal representante da união na conferência de bali, à agência lusa.
«não dissemos que estamos aqui para acordar o futuro regime mas apenas para lançar o diálogo com vista a ter, até 2009, um acordo abrangente para depois de 2012», fim da vigência do protocolo de quioto, declarou à lusa o chefe da delegação portuguesa.
nuno lacasta é o principal negociador de bruxelas na 13ª conferência quadro das nações unidas sobre alterações climáticas (unfccc), uma vez que portugal ocupa actualmente a presidência rotativa da ue.
estudos de impacto económico e declarações de delegados e organizações dos países em desenvolvimento têm acusado a ue de propor na unfccc medidas que teriam consequências «devastadoras» nas economias do sul, por impedirem o seu crescimento.
«a própria participação no protocolo de quioto tem demonstrado que é possível reduzir as emissões sem comprometer o crescimento económico», contrapôe o representante da ue.
«o que dizemos também é que, entre os países desenvolvidos, devem ser feitos esforços comparáveis», acrescentou nuno lacasta, que coordena o comité executivo da comissão de alterações climáticas portuguesa.
«não vejo que esta posição seja demasiado extremista» sublinhou nuno lacasta.
«creio, pelo contrário, que é isso que os países em desenvolvimento esperam dos países desenvolvidos», acrescentou.
nuno lacasta defende um mecanismo que «possibilite a participação de todos através de contribuições que sejam incentiváveis, monitorizáveis e reportáveis nesse mesmo contexto».
«devemos ter todos a capacidade de construir consensos para poder fazer o que interessa», frisou o representante português.
«concordamos também com a necessidade de continuar a diferenciar entre países desenvolvidos e em desenvolvimento» no futuro roteiro para redução de emissões.
«quanto mais exigentes forem os objectivos mais alto fica o preço do carbono e, por essa via, mais depressa e de forma eficiente se pode fazer entrer tecnologias inovadoras no mercado», defende o principal representante da ue.
como exemplo, nuno lacasta referiu que «há um conjunto de tecnologias já disponíveis que podem e devem entrar no mercado a custo zero ou a custo negativo, no sentido em que é muito fácil amortizá-las».
«estamos perante oportunidades 'win-win'», insistiu nuno lacasta.
«há tecnologias absolutamente eficientes e acessíveis que permitem reduzir emissões e trazem outros benefícios ambientais, como a qualidade do ar».
«mas há outro tipo de tecnologias que precisam de ser incentivadas para poder competir com a penetração no mercado de combustíveis fósseis como o petróleo, o gás natural e até o carvão», acrescentou o chefe da delegação portuguesa.
nuno lacasta salientou que portugal é actualmente «um exemplo de penetração de energias renováveis».
o primeiro-ministro, josé sócrates, anunciou recentememente que os 14 por cento de penetração de energias renováveis até 2010 pode ser aumentado a partir dessa data para 45 por cento.
nuno lacasta realça também que a penetração de renováveis «tem feito com que um sector económico que não existia há anos atrás se tenha desenvolvido».
«talvez seja a área económica que mais tem crescido em portugal e que tem criado mais emprego».
diário digital / lusa
06-12-2007 15:08:00
Bali/Clima: UE insiste «países desenvolvidos devem liderar»
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Tó Miguel
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Bali/Clima: UE insiste «países desenvolvidos devem liderar»
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berlim (afp) - o governo alemão decidiu nesta quarta-feira aplicar uma série de ambiciosas medidas de proteção do clima, dando um exemplo aos países reunidos em bali para uma conferência.
"queremos enviar a bali a mensagem de que o governo alemão adota uma atitude precursora e toma as medidas apropriadas" sobre este assunto, declarou o ministro da economia, michael glos, durante uma entrevista coletiva junto com seu colega do meio ambiente, sigmar gabriel.
em bali, representantes do mundo inteiro estão reunidos para estabelecer um cronograma de negociações com vistas à conclusão de um acordo internacional para reduzir as emissões de gás de efeito estufa destinado a entrar em vigor quando expirar o protocolo de kyoto, em 2012.
na manhã desta quarta-feira, o conselho dos ministros alemão aprovou um programa com 14 projetos de lei e decretos, para alcançar seu objetivo de reduzir em 40% as emissões de co2 até 2020 em relação a 1990, contra 20% a 30% para a união européia (ue). também decidiu dedicar 2,6 bilhões de euros do orçamento de 2008 à proteção do clima, o que representa um aumento de 200% em relação a 2005.
várias associações de ecologistas saudaram este "primeiro passo", mas denunciaram "a insuficiência" das medidas, sobretudo nos transportes.
a idéia é atuar junto ao produtor e ao consumidor, através da retorsão e do apoio financeiro.
uma lei vai ser emendada para que 25% a 30% da eletricidade total do país seja produzida a partir de energias renováveis até 2020, o que levará a um aumento dos preços para os consumidores. eles serão incentivados a recorrer a essas energias para se aquecer, mediante um programa de subsídios de 500 milhões de euros por ano a partir de 2009 para os edifícios antigos.
sobre as energias tradicionais, o programa exige que as centrais de produção tenham um modo de funcionamento mais limpo e prevê multiplicar por dois a utilização do sistema de calor e energia combinados (cec), muito eficiente de um ponto de vista energético.
outro ponto importante é a economia de eletricidade, que a alemanha pretende realizar subsidiando a renovação dos prédios antigos e a construção dos novos segundo métodos ecológicos.
no transporte, a taxa sobre os veículos será estabelecida em função do carbono emitido, e os combustíveis deverão incluir 10% de biocombustíveis daqui a 2020.
"trata-se do único programa em todo o mundo que prevê uma aplicação tão concreta das metas estabelecidas. esperamos que outros seguirão o exemplo", afirmou gabriel.
"a alemanha quer mostrar que um país desenvolvido pode conciliar crescimento e proteção do clima", acrescentou.
http://br.noticias.yahoo.com/s/afp/0712 ... anha_clima
"queremos enviar a bali a mensagem de que o governo alemão adota uma atitude precursora e toma as medidas apropriadas" sobre este assunto, declarou o ministro da economia, michael glos, durante uma entrevista coletiva junto com seu colega do meio ambiente, sigmar gabriel.
em bali, representantes do mundo inteiro estão reunidos para estabelecer um cronograma de negociações com vistas à conclusão de um acordo internacional para reduzir as emissões de gás de efeito estufa destinado a entrar em vigor quando expirar o protocolo de kyoto, em 2012.
na manhã desta quarta-feira, o conselho dos ministros alemão aprovou um programa com 14 projetos de lei e decretos, para alcançar seu objetivo de reduzir em 40% as emissões de co2 até 2020 em relação a 1990, contra 20% a 30% para a união européia (ue). também decidiu dedicar 2,6 bilhões de euros do orçamento de 2008 à proteção do clima, o que representa um aumento de 200% em relação a 2005.
várias associações de ecologistas saudaram este "primeiro passo", mas denunciaram "a insuficiência" das medidas, sobretudo nos transportes.
a idéia é atuar junto ao produtor e ao consumidor, através da retorsão e do apoio financeiro.
uma lei vai ser emendada para que 25% a 30% da eletricidade total do país seja produzida a partir de energias renováveis até 2020, o que levará a um aumento dos preços para os consumidores. eles serão incentivados a recorrer a essas energias para se aquecer, mediante um programa de subsídios de 500 milhões de euros por ano a partir de 2009 para os edifícios antigos.
sobre as energias tradicionais, o programa exige que as centrais de produção tenham um modo de funcionamento mais limpo e prevê multiplicar por dois a utilização do sistema de calor e energia combinados (cec), muito eficiente de um ponto de vista energético.
outro ponto importante é a economia de eletricidade, que a alemanha pretende realizar subsidiando a renovação dos prédios antigos e a construção dos novos segundo métodos ecológicos.
no transporte, a taxa sobre os veículos será estabelecida em função do carbono emitido, e os combustíveis deverão incluir 10% de biocombustíveis daqui a 2020.
"trata-se do único programa em todo o mundo que prevê uma aplicação tão concreta das metas estabelecidas. esperamos que outros seguirão o exemplo", afirmou gabriel.
"a alemanha quer mostrar que um país desenvolvido pode conciliar crescimento e proteção do clima", acrescentou.
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Sócio ANE Nº 16
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