23.08.2007
lusa

a federação portuguesa de caçadores entregou hoje uma queixa à polícia judiciária na qual denuncia o "negócio" e o "abate indiscriminado" de javalis em acções de correcção de densidade da espécie autorizadas pela direcção-geral de recursos florestais (dgrf).
o presidente da federação, hélder ramos, disse que, além da queixa à pj, na qual são identificadas as herdades onde vão decorrer algumas destas acções no próximo fim-de-semana, vai ser também entregue uma queixa e uma providência cautelar na comissão europeia.
estas acções que visam minimizar os estragos provocados pelos javalis nas plantações de milho, para cujos efeitos a federação "tem vindo a alertar" o ministério da agricultura desde há mais de um ano, estão a ter "implicações drásticas sobre os índices populacionais de javalis".
"uma milharia [como são designadas as acções de correcção por decorrerem em milheirais] pode ter até 150 caçadores", que, afirmou, fazem autênticas "chacinas" aos javalis, matando inclusive mães e crias.
num levantamento feito ao número de animais mortos nestas acções nos últimos dois anos, a federação concluiu que "mais de quatro mil animais" foram abatidos, disse.
por outro lado, assegurou, há "oportunismo de muita gente", pois cada caçador que participa nestas "montarias camufladas" paga entre 75 e 125 euros, chegando os seus promotores a obter "muitas vezes quantias superiores a dez mil euros e desconhece-se o destino desse dinheiro".
fonte do ministério da agricultura disse que a direcção-geral dos recursos florestais admite que "pontualmente possam ter acontecido situações de abuso" e que reconhece a necessidade de reforçar a fiscalização.
a fiscalização a estas acções é da responsabilidade do serviço de protecção da natureza e do ambiente (sepna), afirmou. segundo hélder ramos, inicialmente, a correcção da densidade de javalis nos milheirais era feita autorizando a caça em espera mesmo fora dos períodos legais, mas perante as reclamações de que os animais já estavam dentro das plantações e não saíam foi permitido o recurso a matilhas de caça maior. contudo, continuou a haver queixas de que após a acção dos cães os javalis voltavam às plantações, pelo que, há dois anos, a dgrf acabou por permitir que as matilhas fossem acompanhadas pela acção das armas de fogo.
"por vezes, são 500 cães e 150 caçadores, que se colocam a disparar em cima de carros e dos pivots de rega, em situações até perigosas, e chegam a matar 120 animais sem respeito pelas mães ou pelas crias", disse hélder ramos.
a redução dos espécimes "é de tal ordem que as últimas montarias têm vindo a fracassar", com menos de meia dúzia de animais mortos.
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