
14.08.2007
lusa
a rússia prepara-se para criar uma reserva natural no árctico, indicou hoje o ministério dos recursos naturais russo, numa altura em que a região suscita um interesse crescente.
o ministério aprovou a proposta de uma comissão de especialistas que prevê a criação de uma reserva natural que deverá ter o nome de "o árctico russo", disse uma porta-voz.
a criação desta reserva implicará uma proibição de exploração na terra franz josef, na parte norte do arquipélago da terra nova, e na ilha victoria, perto de sptizberg, precisou a porta-voz.
"este projecto remonta a 2001 e não tem nada a ver com as últimas expedições" ao pólo norte, adiantou.
a porta-voz referia-se aos exploradores russos que a 02 de agosto, com a ajuda de dois mini-submarinos, colocaram uma bandeira russa em titânio a mais de 4.000 metros sob o pólo norte, numa expedição apresentada como pioneira e simbólica das aspirações territoriais de moscovo sobre o árctico e as suas potenciais reservas de petróleo e gás.
a reserva ficará no interior da zona económica exclusiva russa, a oeste da região explorada em agosto. segundo o jornal vedomosti, a sua superfície é de 8,36 milhões de hectares.
o projecto do parque nacional russo no árctico terá ainda de ser aprovado pelo ministério da defesa, que tem na região várias zonas de manobras, existindo ainda postos de controlo e um observatório dos guardas fronteiriços.
cinco países têm território no círculo polar árctico - canadá, dinamarca, noruega, rússia e estados unidos - com uma zona económica de 320 quilómetros no litoral norte de cada país.
uma expedição dinamarquesa partiu domingo para o árctico para cartografar o leito marinho da gronelândia (território autónomo dinamarquês). os resultados poderão permitir à dinamarca provar que a dorsal de lomonossov, uma cadeia montanhosa submarina, é uma extensão da gronelândia e reivindicar os direitos sobre essa região.
o lomonossov estende-se até à sibéria e a ligação a esta sustentará também a reclamação dos russos, que prevêem fazer nova expedição em novembro.
mas o canadá, que também considera que a dorsal de lomonossov é uma extensão da sua margem continental, anunciou no final da semana passada a criação de uma base militar no árctico para reforçar a reivindicação da soberania canadiana naquela região do pólo norte.
a futura base militar das forças armadas canadianas será um porto de águas profundas, que ficará localizado em nanisivik, junto à passagem do noroeste, zona que é disputada pela rússia, estados unidos, japão e união europeia.
ainda no campo militar, será construído um centro de treino militar na baía de resolute, em nunavut.
a convenção das nações unidas sobre o direito do mar dá aos países signatários um prazo até 10 anos, após a sua ratificação, para apresentarem as suas reivindicações sobre o fundo marinho, caso queiram estender a sua soberania para lá da sua zona de 200 milhas.
a rússia, que ratificou a convenção em 1997, apresentou em 2001 um pedido junto da comissão da onu sobre o direito do mar para reivindicar o fundo marinho árctico.
a dinamarca, que ratificou a convenção em 2004, pode fazer o mesmo até 2014.
in:ecosfera publico.pt

