As florestas e o Ambiente

Para assuntos relacionados com o meio ambiente que não tenham nenhuma relação com energias.
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ideias ambientais
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As florestas e o Ambiente

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as florestas e o ambiente

o sector florestal português, representa uma riqueza estratégica com exigências cada vez mais evidentes, no que diz respeito à sua preservação, protecção e desenvolvimento sustentável. a floresta desempenha um papel muito importante no que se refere às questões sociais, económicas, ambientais e culturais, pelo que urge optimizar o seu contributo para o desenvolvimento sustentável da sociedade, sobretudo no desenvolvimento das zonas rurais, fornecimento de recursos renováveis e protecção do ambiente local e global.


os grandes números da floresta portuguesa


a área florestal no nosso pais atinge cerca de 38% do território nacional(cerca de 3349000ha), o que em termos económicos representa 3% do vab(valor acrescentado bruto: cerca de 3100milhões de euros). em termos sociais, garante 3.3% da população activa ( cerca de 160000 trabalhadores) e acresce ainda uma importância no comércio externo nacional.todos estes aspectos reforçam a necessidade de se efectuarem estudos, planos, projectos de desenvolvimento com sucesso prático, para minimizar as lacunas , dificuldades e insuficiências, que continuam a caracterizar este sector.


instrumentos de ordenamento e gestão florestal


a lei de bases estabelece a necessidade de criar instrumentos de ordenamento e gestão florestal, nomeadamente: planos regionais de ordenamento florestal(prof). estes planos têm sido de difícil elaboração, o que têm sido causa de alguns atrasos na sua conclusão dentro dos prazos legais. neste sentido, será importante também reavaliá-los de modo a simplificar a sua elaboração e aplicação prática, uma vez que representam instrumentos de ordenamento referenciais para outros planos (planos de gestão florestal - pgf, planos directores municipais - pdm). será este plano que irá determinar a necessidade da elaboração dos pgf, que se aplicam sobretudo a matas, pelo que também será importante, criar um formato - tipo para a elaboração de ambos.


investimento e fundos financeiros

è muito importante a execução do quadro comunitário de apoio a nível de financiamentos destinados à floresta e portugal tem vindo a perder importantes fundos financeiros. neste campo, a simplificação das candidaturas é fundamental , bem como permitir a elegibilidade dos investimentos a partir da entrada da candidatura, definindo também exigências de qualidade. mais uma vez, é muito importante a harmonização dos normativos técnicos dos instrumentos de apoio à floresta.


fogos florestais
esta problemática tem levantado bastantes problemas com incidências graves e globais, caracterizadas em grandeza, dimensão e persistência e que carecem de profunda reflexão, sobretudo pela necessidade de reforço das medidas de prevenção.

a realização de campanhas de sensibilização direccionadas a todo o publico em geral, são fundamentais para a consciencialização dos riscos e consequências (sociais, culturais, ambientais e económicas) dos incêndios, ainda mais, dado que a sua maioria , resultaram de actos de vandalismo e negligência.

respeitar os condicionamentos no período critico(1 de julho a 30 de setembro), no que se diz respeito a medidas de redução de risco, é sem dúvida de extrema importância. o fogo controlado (queima e queimada), é ferramenta de gestão de combustíveis, que deve ser levado a cabo por técnico credenciado(de acordo com portaria 1061/2004).

neste contexto, foi estabelecida também a zonagem do continente segundo a probabilidade de ocorrência de incêndio (portaria nº1060/2004), definida em classes de i a v(muito baixa a muito alta), tendo em conta os seguintes factores numa perspectiva estrutural de risco:
- ocorrência de incêndios
- ocupação do solo
- orografia
- clima
- demografia

por outro lado, a coordenação dos meios, quer de vigilância ou detecção e combate, requer uma organização melhorada, mesmo quando se trate de entidades distintas. a cooperatividade é fundamental neste campo, sobretudo quando em situações de calamidade, como ocorreu em 2003. neste sentido, será necessário também, criar um sistema para apurar as responsabilidades institucionais.

a nível dos bombeiros, convém salientar que os meios só por si não bastam, estes devem ter uma adequada utilização, pelo que revitalizar o programa de sapadores florestais, avaliando as suas deficiências, é medida a considerar.

por outro lado, apostar na formação profissional que reconhece as profissões relacionadas com esta actividade é também relevante, sobretudo para fazer acompanhamento dos avanços tecnológicos que se possam sentir.

face aos incêndios do ano de 2003, a criação do modelo orgânico previsto na resolução de conselho de ministros 178/03, foi visto como uma prioridade urgente, tendo sido assim criada uma equipa de reflorestação das áreas ardidas e uma estrutura de missão temporária de duração máxima de 2 anos.


entidades intervenientes

serviços de protecção civil(spc):estes serviços têm a missão de informar, formar, planear, coordenar e controlar as acções e processos no seu domínio de actuação. neste âmbito, têm como missão, prevenir riscos colectivos inerentes a situações de acidente grave, catástrofe ou calamidade, de atenuar seus efeitos e socorrer pessoas.

além disso, os spc fazem o levantamento, previsão, avaliação e prevenção de riscos colectivos, e análise de vulnerabilidade. realiza o planeamento de emergência e inventariação de meios e recursos.

constituição : centros operacionais de emergência de protecção civil - a nível nacional, distrital e municipal, que asseguram a direcção das operações de protecção civil e coordenação dos meios. a sua activação resulta da dimensão do problema e necessidade.
agentes de protecção civil - funções de alerta, aviso. intervenção, apoio e socorro.

guarda nacional republicana - manutenção da ordem publica
institutos de investigação técnica e cientifica - cooperação a nível dos interesse para a prossecução dos objectivos da protecção civil.

instituto geográfico português - cartografia nacional

bombeiros - combate, socorro e prevenção.

centro de operações avançado - orientar os spc.


a floresta e o ambiente : efeitos do fogo

os efeitos de um fogo florestal, dependem sobretudo da sua intensidade, dos factores meteorológicos, tipo de combustível e declive do terreno. estes efeitos podem fazer-se sentir de dois modos: directos ou indirecto e em vários níveis:

solo: a nível do solo, os efeitos directos resultam dos derivados da combustão da camada de detritos vegetais e da matéria orgânica. os indirectos resultam do desaparecimento do coberto vegetal.

a combustão da matéria orgânica faz com que o solo fique temporariamente enriquecido em cinzas(nutrientes sob a forma mineral) que pode ser usado pelas plantas(dai a prática de queima e queimadas). no entanto, o balanço global a médio e longo prazo é muito negativo, dado que se não houver reposição significativa da matéria orgânica, não há possibilidade de restituir o solo.

por outro lado, as primeiras chuvas podem arrastar nutrientes, e estes infiltram-se em profundidade no solo, em zonas onde as plantas não os conseguem obter, reduzindo assim a fertilidade do solo. note-se também, que haverá uma redução na capacidade de retenção do mesmo, bem como da sua porosidade e humidade, podendo ocasionar fenómenos de erosão.

qualidade do ar: os efeitos sentidos a este nível advém sobretudo dos gases resultantes da combustão florestal, nomeadamente o dióxido de carbono(co2). este gás é um dos principais gases que contribuem para os gases de efeito de estufa(gee) e também para o aquecimento global, dado que retém a radiação infravermelha emitida para a superfície da terra, impedindo que parte dela seja liberdade para espaço. esta problemática, levará a alterações climáticas significativas, de caracter global e nacional, que vai introduzir alterações a nível de colheitas e sementeiras.

a produção excessiva deste gás, compromete as metas definidas no protocolo de quioto, pelo que representa sem dúvida, um efeito bastante negativo de caracter ambiental, que terá outras influências associadas aos efeitos do aquecimento global.

a fotossintese é um processo que permite a retenção de co2 nas plantas, que dantes era suficiente para repor o equilíbrio deste gás no nosso ecossistema. presentemente, isso não sucede, e as florestas só por si, perderam esta capacidade, e saliente-se que os fogos florestais vieram ainda acentuar a produção deste gás. esta capacidade de retenção e armazenamento de carbono a longo prazo, representa um dos pontos importantes no debate do ciclo global do carbono e nos impactes das alterações climáticas.

plantas: estas serão também as principais vitimas dos incêndios, que podem levar a sua morte, embora nem sempre na sua totalidade, havendo sempre espécies que acabam por resistir e voltar a criar rebentos. as árvores mais velhas, serão as menos danificadas, dado que têm uma maior espessura de casca e altura maior. saliente-se que existem espécies que apresentam maior resistência e recuperam mais rapidamente que outras. o pinheiro bravo, é uma das espécies muito importantes uma vez que apresenta 75% de capacidade de recuperação. o sobreiro, devido ao efeito isolante da cortiça, resiste ao calor e regenera facilmente a copa queimada.

animais: os animais serão também sujeitos aos efeitos dos incêndios, sobretudo pela falta de alimento. ao contrário disto, as formigas verão a sua diversidade aumentar, o que levará também a um aumento de pica-paus e aves insectívoros. como resultado de tudo isto, podem-se acentuar as pragas.


a importância da cartografia nas florestas

o planeamento e gestão florestal é um processo que exige a obtenção e tratamento de dados específicos e que na prática se realizam utilizando equipamentos práticos e muitas vezes portáteis.

a utilização de sistemas de informação geográfica, permite obter dados precisos de localização, distribuição espacial, e efectuar levantamento dos recursos florestais existentes e quantificação e avaliação dos mesmos, de modo rápido, prático para posterior tratamento em software especifico. a obtenção destes dados exige muito trabalho de campo, uma vez que são colhidos no terreno a estudar.

o sig – sistemas de informação geográfica, são uma componente indispensável de apoio na tomada de decisão no planeamento e gestão sustentável dos recursos florestais. estes têm como funcionalidade especifica a produção de informação com base em dados geo-referênciados. deste modo, o levantamento cartográfico pode ser efectuado utilizando o gps – sistema de posicionamento global e a produção da cartografia através do arcview.

o sig permite às florestas :

- calcular quantidade de madeira disponível numa área com planeamento de cortes.
- modelação de fogos
- avaliação de planos alternativos de gestão
- compatibilização com áreas protegidas
- localização de percursos panorâmicos
- inventariação de habitats

a nível de ordenamento do território permite:
- planeamento e uso do solo
- determinação da distribuição espacial de ocupação do solo
- simulação da erosão.

o arcview é um software de consulta e exploração de bases de dados geográficos, permitindo o acesso a todos os formatos de dados vectoriais e imagens suportados pelo arc/info[3] . destina-se à visualização e análise de dados geográficos organizados nos mais diversos formatos, com integração geográfica de dados alfanuméricos locais e remotos e múltiplos formatos e suportes relacionais, e com integração de informação de tipo vectorial, imagem e grid.

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EnergiaDiesel
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Mensagem por EnergiaDiesel »

bom tópico e numa altura em que os incêndios florestais estão na agenda não fosse a designada "época dos incêndios" já estar "aberta" deixo aqui um artigo sobre uma medida de controlo de fogos o designado "fogo controlado" não muito utilizada em portugal por "n" factores mais do qual mais e dando recentemente um reportagem na televisão sobre o mesmo se pode destacar a falta (crónica em portugal!) de técnicos especializados na matéria.


"fogo quanto baste


se pensa que todos os fogos são maléficos e devastadores saiba que nem sempre é assim. venha connosco fazer uma breve incursão ao mundo do fogo controlado.

quando vemos as imagens televisivas de fogos (e infelizmente têm sido muitas), pode ser difícil acreditarmos que existe algo como um "fogo controlado", uma técnica utilizada frequentemente em alguns países pelos profissionais que gerem os recursos naturais.

na austrália, áfrica do sul, canadá e estados unidos da américa esta é uma técnica comum de gestão do material vegetal combustível, utilizada em áreas públicas e privadas. de acordo com o departamento de agricultura dos eua, entende-se como fogo controlado a aplicação deliberada de fogo em condições ambientais que permitam alcançar objectivos específicos de gestão de recursos. o fogo transforma-se em instrumento de gestão e não numa fatalidade, mais ou menos sazonal, como acontece em portugal.

as mais antigas referências ao uso de fogo controlado em portugal datam de 1836, altura em que frederico varnhagen, 1º administrador geral das matas do reino, defendeu a possibilidade de utilização desta técnica com a finalidade de diminuir o risco de incêndio em povoamentos de pinheiro bravo.

no entanto, a utilização de fogo controlado em portugal é ainda incipiente e pouco frequente. exceptuando o caso das "queimadas" nas áreas montanhosas de portugal, por vezes realizadas em alturas imprópias, só recentemente esta prática começou a ser utilizada. é um instrumento legal de gestão do território, disponível para os proprietários privados, desde que realizado por técnicos ou guardas florestais da direcção geral das florestas.

no nosso país, de verão quente e prolongado, a utilização mais evidente do fogo controlado é a redução do material combustível em áreas de risco de forma a diminuir, ou evitar, a propagação de um incêndio. o fogo permite reduzir a quantidade de material inflamável e logo diminuir os riscos de fogo descontrolado em povoamentos florestais e/ou perto de povoações, quebrar a dormência das sementes e estimular a sua germinação, preparar o terreno para a instalação de espécies vegetais, controlar os insectos e fungos patogénicos ou ainda desbastar ou desramar um povoamento florestal. ao nível da gestão de habitats para a pastorícia ou cinegética, permite manter e melhorar as condições das espécies animais, por exemplo através da queima de sementes indesejáveis de plantas infestantes e difíceis de controlar por outros meios, como é o caso das acácias em portugal.

o uso de fogo controlado pode ser uma alternativa mais económica e expedita do que os tratamentos quimicos ou cortes manuais e mecânicos, mas de acordo com os técnicos só deve ser utilizado quando a acumulação de material vegetal fino (diâmetro inferior a 2mm) seja superior a 30 toneladas por hectare.

os efeitos do fogo no solo dependem principalmente da sua intensidade, isto é, do grau de consumo da matéria orgânica e da exposição do solo mineral. a parte mineral do solo nunca deve ser afectada de forma a evitar a possibilidade de erosão.

em relação à fauna do solo, importante na decomposição e produtividade do ecossistema, esta é afectada principalmente nos horizontes orgânicos e pouco alterada nos minerais. o seu decréscimo depende da manta morta e da camada de solo afectada. assim, os fogos devem ser espaçados no tempo e não actuar em áreas contíguas muito extensas de forma a permitir a recolonização pela fauna do solo.

relativamente aos efeitos do fogo na qualidade do ar, quanto maior for a libertação de fumo maior é o impacto ambiental.

o fogo controlado deve ser executado no período de dormência das plantas, que coincide, em portugal, com as melhores condições atmosféricas para esta prática: temperaturas baixas, humidade relativa elevada e vento fraco com direcção estável.

consoante os objectivos e as condições climatéricas o tipo de fogo varia. pode ser contra ou a favor do vento. a técnica mais utilizada é contra o vento, em que a chama é mais curta, o avanço é mais lento e a intensidade mais reduzida. o material vegetal demora mais tempo a arder e há necessidade de criar mais linhas de fogo para acelerar o processo.os custos com o material e com a segurança são baixos.

contrariamente, nos fogos a favor do vento os cuidados com a segurança terão de ser muito maiores, uma vez que a chama, a velocidade de propagação e a intensidade do fogo são elevadas. o fumo libertado também é maior, sendo necessário que a estrutura do povoamento permita uma boa visibilidade. em ambos os casos têm que existir barreiras de segurança que delimitem a área a arder, podendo ser naturais ou criadas especialmente para o efeito."

mais informação em http://www.naturlink.pt/canais/artigo.a ... &ilingua=1



a importância da cartografia nas florestas

o planeamento e gestão florestal é um processo que exige a obtenção e tratamento de dados específicos e que na prática se realizam utilizando equipamentos práticos e muitas vezes portáteis.

a utilização de sistemas de informação geográfica, permite obter dados precisos de localização, distribuição espacial, e efectuar levantamento dos recursos florestais existentes e quantificação e avaliação dos mesmos, de modo rápido, prático para posterior tratamento em software especifico. a obtenção destes dados exige muito trabalho de campo, uma vez que são colhidos no terreno a estudar.

o sig – sistemas de informação geográfica, são uma componente indispensável de apoio na tomada de decisão no planeamento e gestão sustentável dos recursos florestais. estes têm como funcionalidade especifica a produção de informação com base em dados geo-referênciados. deste modo, o levantamento cartográfico pode ser efectuado utilizando o gps – sistema de posicionamento global e a produção da cartografia através do arcview.

o sig permite às florestas :

- calcular quantidade de madeira disponível numa área com planeamento de cortes.
- modelação de fogos
- avaliação de planos alternativos de gestão
- compatibilização com áreas protegidas
- localização de percursos panorâmicos
- inventariação de habitats

a nível de ordenamento do território permite: planeamento e uso do solo
- determinação da distribuição espacial de ocupação do solo
- simulação da erosão.
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Mensagem por EnergiaDiesel »

"falta de meios compromete investigação às causas dos fogos florestais no país

08.06.2007
mariana oliveira

em maio de 2006, o governo extinguiu o corpo nacional da guarda florestal (cngf) e determinou a integração dos seus cerca de 500 funcionários no serviço da protecção da natureza e do ambiente (sepna) da gnr. mas, mais de um ano passado, o panorama não é animador.

a gnr não tem dinheiro para pagar horas extraordinárias aos guardas florestais, o que implica que durante a noite, feriados e, em algumas zonas do país, ao fim-de-semana não se faça investigação às causas dos incêndios florestais nem vigilância florestal. há ainda quem se queixe da falta de condições logísticas, lamentando não ter sequer um computador para trabalhar. os problemas são visíveis nos resultados operacionais. segundo os dados da direcção-geral de recursos florestais e do sepna, citados no relatório da comissão parlamentar de fogos florestais, 64 por cento das 3093 investigações realizadas no ano passado terminaram sem causa atribuída (perto de dois mil incêndios com origem desconhecida).

o valor significa um grande aumento face aos últimos anos, em que esta percentagem rondou os 30 por cento. a título de exemplo, refira-se que, em 2002, o cngf, que investigou 1039 sinistros, registou apenas 27 por cento de fogos com razões desconhecidas. até agora, os antigos guardas florestais eram o único corpo destinado a fazer investigação das causas dos incêndios. a polícia judiciária só investiga fogos quando há suspeitas de crime e os militares do sepna só agora estão a terminar a formação nesta área ? 120 destes operacionais terminam-na hoje.

rui raposo, da federação nacional de sindicatos da função pública, que acompanha há vários anos os problemas dos guardas florestais, avança com a explicação. "entre maio do ano passado e julho não houve investigação das causas dos fogos. a estrutura intermédia de comando da gnr não estava preparada para a transição e não sabia o que fazer com os guardas florestais", diz. "as primeiras instruções surgiram tarde e chegaram a ser dadas ordens para se investigar fogos que tinham ocorrido um mês antes. ora, nessa altura já não é possível recolher prova."

raposo lamenta que, neste momento, os guardas florestais estejam subaproveitados e garante que é possível fazer muito melhor com os recursos existentes. "este desperdício é inadmissível", considera.

jorge caldas, dirigente sindical e mestre florestal há 22 anos, concorda que a gnr não estava preparada. hoje é obrigado a trabalhar sem computador e perdeu o gps que tinha instalado no carro. "estamos praticamente esquecidos", lamenta, ao explicar que pediu em setembro passado uma reunião com um superior da gnr e até hoje ainda não foi recebido.

"falta motivação"

muitos salientam que os horários fixos de manhã e de tarde, feitos para escapar ao pagamento das ajudas de custo, e a ausência de guardas nos feriados são prejudiciais ao trabalho. "aqui não trabalhamos aos fins-de-semana e feriados. se uma pessoa quiser violar a lei sem ser apanhado, basta saber o nosso horário", alega martinho gonçalves, dirigente sindical no distrito de portalegre e mestre florestal há quase 20 anos.

figueiredo lopes, sindicalista na zona centro e mestre florestal, é dos que fazem um balanço positivo da transição. "operacionalmente, acho que foi benéfica. agora estamos mais concentrados na fiscalização e não fazemos trabalho de técnicos florestais", afirma. sabe que a sua realidade não se repete em todo o território nacional e lamenta os 200 euros mensais que muitos perderam com o fim das horas extraordinárias e das ajudas de custo. isto além de ganharem menos duas a três centenas de euros que os colegas militares. "assim não podemos estar motivados", remata caldas.

o público tentou insistentemente obter um comentário da gnr a estes problemas, mas não conseguiu falar com nenhum dos seus responsáveis. no site da gnr na internet também não se encontra qualquer referência à participação dos ex-guardas florestais, nem no dispositivo nem na estrutura do sepna."

em http://ecosfera.publico.pt/noticia.aspx?id=1296181

cenário complicado.

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protecção civil e universidade de trás-os-montes vão investigar incêndios florestais
11.06.2007
lusa

a universidade de trás-os-montes e alto douro (utad) anunciou hoje que vai investigar e avaliar como são atacados os incêndios florestais em portugal, num estudo pedido pela autoridade nacional de protecção civil (anpc).

a cerimónia de assinatura e homologação do protocolo para a avaliação das operações de ataque ampliado a incêndios florestais, entre a utad e a anpc, realiza-se na próxima sexta-feira, no campus da universidade, em vila real, com a presença do secretário de estado da protecção civil, ascenso simões.

o investigador do departamento florestal da utad, hermínio botelho, é o responsável pelo estudo que tem como objectivo "melhorar e optimizar" o combate aos incêndios florestais em portugal, como sublinhou o docente.

para o efeito vai ser avaliado o desempenho do ataque ampliado a incêndios florestais, definidos os indicadores de gestão de operações e acompanhada no terreno a evolução de incêndios onde intervenham as equipas de avaliação e de fogos tácticos.

hermínio botelho sustentou que a maior parte dos incêndios é extinto logo nas primeiras horas, existindo, no entanto, um "número pequeno" de ignições que não são "dominadas à nascença e se transformam em grandes incêndios". "é a partir desse momento que é preciso fazer um reforço do teatro de operações e convocar meios suplementares que sejam adequados à dimensão do incêndio, o que é denominado de ataque ampliado ou estendido", acrescentou.

por isso, no terreno vão estar equipas "a acompanhar os combatentes e a avaliar a eficácia do combate, os problemas de ordem logística que vão surgindo, as dificuldades que vão sendo encontradas relativamente ao terreno, à meteorologia e a forma como são tomadas as decisões, as estratégicas e tácticas de combate ao incêndio", frisou o investigador.

a utad vai disponibilizar duas equipas, para avaliação dos incêndios nos teatros de operações, sendo que cada uma delas será constituída por três elementos, um dos quais um monitor do posto de comando operacional que monitorizará as estratégias, tácticas e movimentação dos meios. um outro monitor vai estar no teatro de operações, a fazer o reconhecimento da área do incêndio, cartografando a posição do perímetro de fogo, a localização dos meios de combate, e o seu desempenho na aplicação de diferentes tácticas de combate, registando alterações de meteorologia e mantendo vigilância à evolução do incêndio.

vai ainda existir um monitor da frente de fogo, elemento que se desloca com a equipa de fogo de supressão e acompanhará as manobras de fogo táctico, a localização dos meios de combate, e o seu desempenho na aplicação de diferentes tácticas de combate.


a utad vai destacar também para a sede da anpc dois colaboradores para tratamento de dados, definição de indicadores de gestão e a preparação e elaboração de relatórios semanais de monitorização das operações de combate.

hermínio botelho refere que, com os dados recolhidos este verão, haverá já elementos concretos no próximo ano que "permitirão melhorar e optimizar os meios de combate a incêndios".

em 2006, os incêndios florestais queimaram 4098 hectares no distrito de vila real, menos 87,7 por cento do que em igual período do ano anterior (33.112 hectares). entre 1 de janeiro e ontem, os bombeiros registaram 232 incêndios no distrito e uma área ardida de 187,4 hectares.


em http://ecosfera.publico.pt/noticia.aspx?id=1296459

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