Nova táctica, 20 minutos à Benfica e mais um troféu
06.08.2011
Dois golos na segunda parte, de Aimar e Nolito, permitiram ao Benfica dar a volta ao resultado e derrotar o Arsenal (2-1) na quarta edição da Eusébio Cup.
Foi na segunda parte, já sem o paraguaio e com o esquema usado em Istambul (4x2x3x1), que o Benfica jogou melhor e deu a volta ao resultado. Uma mudança táctica para avaliar no futuro, embora os resultados façam antever que Jorge Jesus parece finalmente disposto a abdicar em alguns jogos do sistema táctico que sempre utilizou nas duas últimas épocas (4x4x2 em losango).
A versão com que terminou o jogo frente ao Arsenal não foi a única experimentada pelo treinador benfiquista. Cardozo até regressou à titularidade, mas no meio-campo alinhou Matic ao lado de Javi García, numa espécie de 4x4x2 clássico, com Enzo Pérez e Bruno César nas alas. Um sistema que aumenta a capacidade defensiva da equipa, mas que, por outro lado, lhe tira criatividade, até porque o sérvio (apesar de tratar bem a bola) não tem os rasgos de Aimar.
Estas alterações na táctica e no “onze”, associadas à qualidade técnica dos jogadores do Arsenal, resultaram num domínio da equipa londrina, que criou as melhores oportunidades na primeira parte.
Eduardo, que pela primeira vez foi titular, viu Gervinho acertar nas malhas laterais (13’) e logo a seguir parou um remate de Arshavin (14’). Van Persie era o pivot do ataque do Arsenal e durante grande parte do tempo andou desaparecido. Mas cada vez que o holandês entrou em jogo, criou perigo.
Primeiro (32’) avisou, num lance em que rematou ao lado de pé direito, e depois (34’) marcou mesmo, completando uma jogada do carrossel londrino que ele próprio tinha iniciado.
Antes do golo do Arsenal, o Benfica tinha dado um ar da sua graça, que coincidiu com a passagem de Bruno César da ala esquerda para a direita. O brasileiro conseguiu ter mais vezes a bola, fazer alguns bons passes e testar também o remate.
No intervalo, Jesus efectuou oito substituições e Wenger cinco. O Benfica ficou muito mais forte (até porque o “onze” ficou mais próximo da equipa titular) e o Arsenal mais fraco. A diferença notou-se de imediato e rapidamente apareceu o golo do empate (50’), com Aimar a finalizar uma jogada de Gaitán e Nolito.
Novamente com o esquema de Istambul (4x2x3x1) e sem Cardozo, o futebol do Benfica ganhou rapidez e criatividade. E não se ressentiu na hora de finalizar, como mostrou Nolito, que com um bom remate de fora da área colocou a equipa de Jesus na frente (60’).
Ao Benfica encolhido, emperrado e defensivo da primeira parte sucedia uma equipa dinâmica, ofensiva e atraente, em que até Javi García (num livre aos 63’) criava oportunidades de golo. Em 20 minutos de grande qualidade, a equipa de Jesus resolveu o jogo. Depois, a partida acalmou, mas o 3-1 esteve sempre mais perto do que o 2-2, com Gaitán a desperdiçar boas oportunidades. Urreta e David Simão também obrigaram Fabianski a boas defesas. Um bom ensaio a seis dias de visitar o Gil Vicente, no arranque do campeonato.
POSITIVO
Nolito
É o reforço mais produtivo. Depois dos golos frente ao Trabzonspor, voltou a marcar, desta vez num remate de longe.
Aimar
Juntamente com Saviola, Gaitán, Witsel e Nolito, revolucionou o futebol do Benfica. Quando ele passa a bola, tudo é mais fácil.
NEGATIVO
Cardozo
Perdeu o lugar cativo no “onze”, até porque Jesus arranjou um sistema táctico que não exige a presença do paraguaio. Será que chegou a hora de sair do Benfica?
Enzo Pérez
Outra vez muito apagado, sem justificar o facto de ter sido o primeiro reforço ofensivo em quem Jesus apostou.
Ficha de Jogo
Jogo no Estádio da Luz, em Lisboa.
Assistência 40.883 espectadores.
Benfica Eduardo (Artur, 46’), Ruben Amorim (Ruben Pinto, 86’), Luisão (Fábio Faria, 89’), Garay (Jardel, 46’), Emerson (Capdevila, 46’), Javi García (David Simão, 90’+1’), Bruno César (Nolito, 46’), Matic (Witsel, 46’), Enzo Peres (Gaitan, 46’, Urreta, 86’), Cardozo (Aimar, 46’) e Jara (Saviola, 46’, Mora, 86’). Treinador Jorge Jesus.
Arsenal Szczesny (Fabianski, 46’), Sagna (Jenkinson, 46’), Djourou (Squillaci, 46’), Vermaelen (Miguel, 85’), Gibbs (Traoré, 56’), Rosicky (Lansbury, 66’), Song (Frimpong, 46’), Ramsey, Arshavin (Miyaichi, 46’), Van Persie (Chamakh, 46’) e Gervinho. Treinador Arsène Wenger.
Árbitro Duarte Gomes (Lisboa) Amarelos Rosicky (22’), Garay (40’) e Vermaelen (76’).
Golos 0-1, por Van Persie, aos 34’; 1-1, por Aimar, 50’; 2-1, por Nolito, aos 60’.
http://desporto.publico.pt/noticia.aspx?id=1506530