Página 1 de 1

CARTA DE UM ALUNO AO PROFESSOR DE HISTÓRIA.

Enviado: sábado mai 10, 2008 12:23 am
por klinzter
pois é ... é comprida mas vale a pena ler !!!
aver se abrimos os olhos às criancinhas e ao resto dos nossos compatriotas que andam "cegos" por aí !!!


pois é, há a história e há as estórias... da carochinha!!!
34 anos depois...

exmo senhor professor,

sou obrigado a escrever-lhe, nesta data, depois de ter escutado, com
toda a atenção, a aula de história, que nos deu sobre a revolução de
abril de 1974.

li todos os apontamentos que tirei na aula e os textos de apoio que me
entregou para me preparar para o teste, que o senhor professor irá
apresentar-nos, na próxima semana, sobre a revolução dos cravos.

disse o senhor professor que a revolução derrubou a ditadura
salazarista e veio a permitir o final da guerra colonial, com a
conquista da liberdade do povo português o dos povos dos territórios
que nós dominávamos e que constituíam o nosso império.

afirmou ainda que passámos a viver em democracia e que iniciámos uma
nova política de desenvolvimento, baseada na economia de mercado.

informou-nos também que a censura sobre os órgãos de comunicação social
terminara e que a pide/dgs, a polícia política do estado fascista
acabara, dando a possibilidade aos portugueses de terem liberdade de
expressão, opinião e pensamento. hoje, todos eles podem exprimir as
suas opiniões nos jornais, rádio, televisão, cinema e teatro, sem
receio de serem presos.

disse igualmente que portugal era um país isolado no contexto
internacional e que agora fazemos parte da união europeia e temos
grande prestígio no mundo. que somos dos poucos países da união a
cumprir, na íntegra, os cinco critérios de convergência nominal do
tratado de maastricht para fazermos parte do pelotão da frente com
vista ao euro.

li os textos de apoio do professor fernando rosas, onde me informam que
os capitães de abril são considerados heróis nacionais, como nunca
houvera antes na nossa história, e que eles são os responsáveis por
toda a modernidade do nosso país, pois se não tivesse acontecido a
memorável revolução, estaríamos na cauda da europa e viveríamos em
grande atraso, em relação aos outros países, e num total obscurantismo.

tinha já tudo bem compreendido e decorado, quando pedi ao meu pai que
lesse os apontamentos e os textos para me fazer perguntas sobre a tal
revolução, com vista à minha preparação para o teste, pois eu não
assisti ao acontecimento histórico, por não ter ainda nascido, uma vez
que, como sabe, tenho apenas dezasseis anos de idade.

com o pedido que fiz ao meu pai, começaram os meus problemas pois ele
ficou horrorizado com o que o senhor professor me ensinou e chamou-lhe
até mentiroso porque conseguira falsificar a história de portugal. ele
disse-me que assistira à revolução dos cravos dos capitães de abril e
que vira com «os olhos que a terra há-de comer» o que acontecera e as
suas consequências.

disse-me que os capitães foram os maiores traidores que a nossa
história conhecera, porque entregaram aos comunistas todo o nosso
império, enganando os portugueses e os naturais dos territórios, que
nos pertenciam por direito histórico. que a guerra no ultramar
envolvera toda a sua geração e que nela sobressaíra a valentia dum povo
em armas, a defender a herança dos nossos maiores.

que já não existia ditadura salazarista, porque salazar já tinha
morrido na altura e que vigorava a primavera marcelista que,
paulatinamente, estava a colocar portugal na vanguarda da europa. que
hoje o nosso país, conjuntamente com a grécia, são os países mais
atrasados da comunidade europeia.

que portugal já desfrutava de muitas liberdades ao tempo do professor
marcelo caetano, que caminhávamos para a democracia sem sobressaltos,
que os jovens, como eu, tinham empregos assegurados, quando terminavam
os estudos, que não se drogavam, que não frequentavam antros de deboche
a que chamam discotecas, nem viviam na promiscuidade sexual, que hoje
lhes embotam os sentidos.

disse-me também que ele sabia o que era deus, a pátria e a família e
que eu sou um ignorante nessas matérias. aliás, eu nem sabia que a
minha pátria era portugal, pois o senhor professor ensinou-me que a
minha pátria era a europa.

o meu pai disse-me que os governantes de outrora não eram corruptos e
que após o 25 de abril nunca se viu tanta corrupção como actualmente.
também me disse que a criminalidade aumentara assustadoramente em
portugal e que já há verdadeiras máfias a operar, vivendo à custa da
miséria dos jovens drogados e da prostituição, resultado do abandono
dos filhos de pais divorciados e dum lamentável atraso cultural, em
virtude de um sistema educativo, que é a nossa maior vergonha, desde há
mais vinte anos.

eu fiquei de boca aberta, quando o meu pai me disse que a censura
continuava na ordem do dia, porque ele manda artigos para alguns
jornais e não são publicados, visto que ele diz as verdades, que são
escamoteadas ao povo português, e isso não interessa a certos orgãos de
comunicação social ao serviço de interesses obscuros.

o meu pai diz que o nosso país é hoje uma colónia de bruxelas, que nos
dá esmolas para nós conseguirmos sobreviver, pois os tais capitães de
abril reduziram portugal a uma «pobreza franciscana» e que o nosso país
já não nos pertence e que perdemos a nossa independência.

perguntei-lhe se ele já ouvira falar de mário soares, almeida santos,
rosa coutinho, melo antunes, álvaro cunhal, vítor alves, vítor crespo,
lemos pires, vasco lourenço, vasco gonçalves, costa gomes, pezarat
correia... não pude acrescentar mais nomes, que fixara com enorme
sacrifício e trabalho de memória, porque o meu pai começou a vomitar só
de me ouvir pronunciar estes nomes.

quando se sentiu melhor, disse-me que nunca mais lhe falasse em tais
«sacanas de gajos», mas que decorasse antes os nomes de vasco da gama,
pedro álvares cabral, diogo cão, d. joão ii, d. manuel i, bartolomeu
dias, afonso de alburquerque, d. joão de castro, camões, norton de
matos, porque os outros não eram dignos de ser portugueses, mas estes
eram as grandes e respeitáveis figuras da nossa história.

naturalmente que fiquei admirado, porque o senhor professor nunca me
falara nestas personagens tão importantes e apenas me citara os nomes
que constam dos textos do professor fernado rosas.

senhor professor, dada a circunstância do meu pai ter visto, ouvido,
sentido e lido a revolução de abril, estou completamente baralhado, com
o que o senhor me ensinou e com a leitura dos textos de apoio. eu julgo
que o meu pai é que tem razão e, por isso, no próximo teste, vou seguir
os conselhos dele.

não foi o senhor professor que disse que a revolução nos deu a
liberdade de opinião? certamente terei uma nota negativa, mas o meu pai
nunca me mentiu e eu continuo a acreditar nele.

como ele, também eu vou pôr uma gravata preta no dia 25 de abril, em
sinal de luto pelos milhares de mortos havidos no nosso império,
provocados pela revolução dos espinhos, perdão, dos cravos.

o senhor disse-me que esta revolução não vertera uma gota de sangue e
agora vim a saber que militantes negros que serviram o exército
português, durante a guerra, que o senhor chamou colonial, foram
abandonados e depois fuzilados pelos comunistas a quem foram entregues
as nossas terras.

desculpe-me, senhor professor, mas o meu pai disse-me que o senhor era
cego de um olho, que só sabia ler a história de portugal com o olho
esquerdo. se o senhor tivesse os dois olhos não me ensinaria tantas
asneiras, mas que o desculpava porque o senhor era um jovem e
certamente só lera o que o professor fernando rosas escrevera.

a minha carta já vai longa, mas eu usei de toda a honestidade e espero
que o senhor professor consiga igualmente ser honesto para comigo, no
próximo teste, quando o avaliar.

com os meus respeitosos cumprimentos

o seu aluno

todos os anos, nesta data, se fala em comemorações em todo o país,
mas eu pergunto:


comemorar o quê????

Re: CARTA DE UM ALUNO AO PROFESSOR DE HISTÓRIA.

Enviado: sábado mai 10, 2008 1:35 am
por Bluesky
olha, klintzer, pois entao porque nao relatar o que eu sei sobre o 25 de abril pois eu vivi nas colonias, posso-te dizer: nao houve derramamento de sangue? e as guerras coloniais e o exodo colonial? na cidade onde eu nasci, lourenço marques a.k.a. maputo queimavam os portugueses com pneus à volta do corpo a arder e tambem os negros que "colaboravam" (trabalhavam) connosco. na estrada para a capital paravam os carros, encharcavam-nos em gasolina e pegavam-lhes fogo como archotes com os seus ocupantes junto...isto tambem nao veio nos jornais, pois nao?

os meus pais nunca pensaram que aquilo fosse nosso, quem pensava assim eram os politicos aqui de lisboa. os meus pais eram emigrantes como outros quaisquer em terras estranhas, nao precisavam da humilhaçao de ser chamados de "retornados", tudo por razoes politicas exclusivamente, e querem saber de mais? fizeram lá um trabalho exemplar, ensinaram muitas pessoas a ler e a pensar e ajudaram muita gente com necessidades. viemos sem quase nada. houve anos de trabalho em africa que nao contaram para a reforma da minha mãe - essa foi a justiça que recebemos.

mas eu nem retornado sou, sou natural de lá logo sou mesmo africano, apesar da minha pele ser branca e apesar de ser um bom portugues. se sinto vontade de voltar para lá? a minha alma sim mas existe um divorcio socio-cultural e um choque do nivel de vida entre os povos, senao teria muito bom grado em voltar ao meu pais moçambique onde o horizonte se perde de vista, onde ninguem sai com o guarda-chuva quando chove e onde um bando de macacos selvagens brincavam junto com as crianças num parque infantil em terra vermelha protegido pela sombra das arvores.

só anos mais tarde vi uma foto onde estava eu e a minha mana num autocarro e eramos os unicos brancos... contrastava bastante, mas na altura eu ja tinha 6 anos e para mim era normal e nem reparava - era completamente daltonico - só via homens e mulheres. tenho de confessar que ainda sou daltonico. lembro-me de uma campanha cá em portugal cujo lema era "todos diferentes, todos iguais"...que hipocrisia... as pessoas só ouviam o "todos diferentes", o resto era uma desculpa. quando pomos um amargante no cafe pouco importa o açucar que ponhamos de seguida. era igual.

quando ao mario soares, almeida santos etc ... sao maçons, foram eles que secretamente transformaram esta sociedade democratica numa anarquia lobbista e deboche, com uma subserviencia doentia ao petroleo negro e viscoso. e enquanto continuarem a pensar "nao pode ser verdade o que ele nos diz" a segunda parte do plano continua em acçao com muito sucesso, com a dissoluçao do conceito do patriotismo a nivel europeu e enquanto os serviços de inteligencia tomam autenticos banhos de lixivia para pareçerem brancos mais brancos, como aconteçeu hoje na "sociedade civil", enquanto planeiam "o assalto" via troca de liberdades por "segurança". os "turras" (comunistas) deram lugar aos "terroristas" ou terror islamico, sem que ninguem se interrogue onde està a verdade.

assim e tal como aconteceu no ano de 74, ainda hoje somos incapazes de olhar com honestidade para o nosso proprio umbigo. que posso mais dizer? que tudo que disse atrás é verdadeiro mas tenho dias que gostaria de esqueçer... #

Re: CARTA DE UM ALUNO AO PROFESSOR DE HISTÓRIA.

Enviado: sábado mai 10, 2008 3:30 am
por tvcrabo
o klintzer,

até me deu vontade de vomitar so de perceber que tu é que andas a ser enganado. não me venhas com tretas que jovens como nos acabavam o curso e empregavam-se sabes porque? porque os meus pais nao teriam dinheiro para me deixar estudar se os comunistas nao se tivessem chegado a frente e derrubado o fascismo. nós nao derrubamos salazar, foi o fascismo caro cidadão.

não seja demagogo e nao venha para aqui atirar areia para os olhos das pessoas. nada foi entregue a comunistaa nenhum porque se fosse por esta altura tambem nao era uma democracia, está a perceber?

Re: CARTA DE UM ALUNO AO PROFESSOR DE HISTÓRIA.

Enviado: sábado mai 10, 2008 11:48 am
por klinzter
meu caros,

eu só transmiti aquilo que recebi por email

Re: CARTA DE UM ALUNO AO PROFESSOR DE HISTÓRIA.

Enviado: sábado mai 10, 2008 12:17 pm
por tvcrabo
nao klintzer.

da tua autoria escreveste isto a proposito do texto
pois é ... é comprida mas vale a pena ler !!!
aver se abrimos os olhos às criancinhas e ao resto dos nossos compatriotas que andam "cegos" por aí !!!
ao menos se homenzinho e assume que tu concordas com o que esta escrito, caso contrario nunca terias postado aquilo

Re: CARTA DE UM ALUNO AO PROFESSOR DE HISTÓRIA.

Enviado: sábado mai 10, 2008 12:48 pm
por klinzter
podemos admitir que sim, que simplesmente foi copy&paste do mail que recebi, porque até achei piada


cumpries,

Re: CARTA DE UM ALUNO AO PROFESSOR DE HISTÓRIA.

Enviado: sábado mai 10, 2008 10:34 pm
por Master
também sou branco de 2ª, como chamam aos brancos nascidos em africa. (angola)
que foram abandonados á sorte pela política de descolinização rápida, com menos de 10 anos vi muita morte, mais do que uma criança deve ver, muita morte á minha frente com catanas, com pais e amigos a serem mortos á minha frente, "felizmente da minha família só morreram 2 tios"
nunca comemorei o 25 abril, pois também a mim e aos meus pais trouxe muita tristeza.
sinceramente e pelo pouco que sei acho que os próprios africanos não melhoraram com a nossa saída rápida (saída ou fuga???)
até há 5 anos atrás as infraestruturas eram practicamente as mesmas de há 30 anos atrás (feita por nós e deixada de borla), desde estradas, prédios, esgotos, hospitais, etc...
a pressa da descolonização deixou um país sem licenciados ou técnicos, obrigou os portugueses a voltar para portugal sem nada, de mãos vazias, para um país que já tinha problemas e ainda levou com mais milhões de retornados, levou a uma guerra civil de decadas. levou á fome, plantações abandonadas, etc...
começou a melhorar desde há 5 anos, mas ainda agora não há há estrangeiro que se sinta em segurança.
falo por pessoas que lá viveram antes e que lá foram agora em visita ou trabalho, um deles o meu irmão que como oficial da onu só saía em gipe e escolta, outro o meu pai que viveu lá cerca de 30 anos e ele chorou ao ver a devastaçao do que antes era algo tão lindo e que tinha tão boas memórias.
a mim pessoalmente não falem do 25 abril só me trouxe tristeza e tenho 3 filhos e não os incentivo a estudar essa parte triste da história portuguesa.
vontade de lá voltar? népia, para ver miséria vejo cá. pois pelos vistos ao fim de mais de 30 anos o 25 abril não conseguiu nos tirar da cauda dos piores.
já agora não entendi a parte que dizem "dos comunistas terem derrubado o poder", tenho quase a certeza que o que ensinam por aí foi que quem derrubou o poder foram os militares, uma classe de militares deu a cara (os capitães).
è pena que nas comemorações do 25 abril só se fale do que houve de bom, que realmente houve coisas muito boas adquiridas, mas esquecem-se facilmente do mal que também houve, das marcas que deixou a milhões de pessoas.
eu também sou da opinião de tentar esquecer essa data.

Re: CARTA DE UM ALUNO AO PROFESSOR DE HISTÓRIA.

Enviado: domingo mai 11, 2008 2:51 am
por tvcrabo
master Escreveu:também sou branco de 2ª, como chamam aos brancos nascidos em africa. (angola)
que foram abandonados á sorte pela política de descolinização rápida, com menos de 10 anos vi muita morte, mais do que uma criança deve ver, muita morte á minha frente com catanas, com pais e amigos a serem mortos á minha frente, "felizmente da minha família só morreram 2 tios"
nunca comemorei o 25 abril, pois também a mim e aos meus pais trouxe muita tristeza.
sinceramente e pelo pouco que sei acho que os próprios africanos não melhoraram com a nossa saída rápida (saída ou fuga???)
até há 5 anos atrás as infraestruturas eram practicamente as mesmas de há 30 anos atrás (feita por nós e deixada de borla), desde estradas, prédios, esgotos, hospitais, etc...
a pressa da descolonização deixou um país sem licenciados ou técnicos, obrigou os portugueses a voltar para portugal sem nada, de mãos vazias, para um país que já tinha problemas e ainda levou com mais milhões de retornados, levou a uma guerra civil de decadas. levou á fome, plantações abandonadas, etc...
começou a melhorar desde há 5 anos, mas ainda agora não há há estrangeiro que se sinta em segurança.
falo por pessoas que lá viveram antes e que lá foram agora em visita ou trabalho, um deles o meu irmão que como oficial da onu só saía em gipe e escolta, outro o meu pai que viveu lá cerca de 30 anos e ele chorou ao ver a devastaçao do que antes era algo tão lindo e que tinha tão boas memórias.
a mim pessoalmente não falem do 25 abril só me trouxe tristeza e tenho 3 filhos e não os incentivo a estudar essa parte triste da história portuguesa.
vontade de lá voltar? népia, para ver miséria vejo cá. pois pelos vistos ao fim de mais de 30 anos o 25 abril não conseguiu nos tirar da cauda dos piores.
já agora não entendi a parte que dizem "dos comunistas terem derrubado o poder", tenho quase a certeza que o que ensinam por aí foi que quem derrubou o poder foram os militares, uma classe de militares deu a cara (os capitães).
è pena que nas comemorações do 25 abril só se fale do que houve de bom, que realmente houve coisas muito boas adquiridas, mas esquecem-se facilmente do mal que também houve, das marcas que deixou a milhões de pessoas.
eu também sou da opinião de tentar esquecer essa data.
tem piada, vejo-vos a referir mortos pos 25 abril mas ainda n li nada sobre os que morreram as maos da pide durante o fascismo... secalhar deve ter sido so um ou dois... na verdade até foram, só que foram dois mil de nos.
eras branco de segunda... agora es um cidadao como os outros, nem branco nem negro e nem de 1ª nem de segunda... o que significa que a democracia trouxe progresso para ti.
logicamente que ao deixarmos as colonias eles tiveram de aprender a liderar aquilo e cometeram imensos erros, ninguem nasce ensinado, mas gostava que me provasses que existia outra forma mais racional de largar as colonias. é nao esquecer que sao paises independentes a pouco mais de 30 anos... nós já o somos á dezenas de seculos, logo temos mais experiencia em administrar um país e mesmo assim cometemos erros e injustiças como todos sabemos.
sim, o que ensinam por aí foi que foram os militares que derrubaram. a questão foi que quem os treinou, organizou e dirigiu foram os comunistas. ou achas tu que meia duzia de capitães faziam aquilo sozinhos? vai la vai. demagogo ainda acredito, mas nao acredito que sejas assim tao ingenuo.

para ser sincero as xs tenho pena de ler certas coisas. e mais triste fico porque sei que com o passar do tempo mais facil será branquear os crimes horrendos que foram cometidos pelo fascismo e chego a acreditar que um dia os fascistas ainda serão vistos como pretensos herois da patria... simplesmente porque as pessoas têm fraca memoria e as massas sao facilmente manipuladas.

Re: CARTA DE UM ALUNO AO PROFESSOR DE HISTÓRIA.

Enviado: domingo mai 11, 2008 10:51 am
por Mário Liberato
caro sr. tvcrabo.
basta ler o que escreve para se ficar a saber qual a sua orientação politica,mas não é para falar dela que aqui estou,mas sim para lhe perguntar se conheceu angola antes do 25/4/74.e pergunto-lhe, porque eu tambem lá estive e foram 27 meses nas matas do norte desde o bom jesus,dange,zenza,santa cruz,quícua e quimbele.isto é só para informá-lo que sei o que foi a guerra do ultramar.por isso não seja demagógico,seja português.só lhe pedimos isso.mais nada.

Re: CARTA DE UM ALUNO AO PROFESSOR DE HISTÓRIA.

Enviado: domingo mai 11, 2008 12:42 pm
por Master
este forum é constituído por tópicos, ao qual todos tem direito de dar a sua opinião.
eu dei a minha sem ofensas e por aquilo que passei.
não volte a ofender a minha pessoa, aceito que discorde do meu ponto vista, assim como eu discordo profundamente do seu.
quanto á sua resposta eu aceito que defenda a sua ideologia partidária, parto também do princípio que têm mais de 50 anos, para falar do que a pide lhe fez, eu tenho menos de 50 e a mim a pide nunca fez nada, aos meus pais também não e pelo que sei a ninguém da minha família, talvez por estarmos no ultramar (acho que tb lá havia pide) ou por não estarmos mal com o sistema ultramarino.
não há dúvidas que a democracia trouxe algo de bom, nunca disse mal da democracia ou da mudança de regime.
o facto de termos abandonado os colonos foi mau, muito mau para quem lá tinha tudo e voltou a pedir esmolas, mas pior foi abandonar os colonizados, tens razão ao dizer "não nascem ensinados" e que tal antes de termos fugido lhes termos ensinado a governar o paìs deles? há um proverbio que diz "não me dês peixe, ensina-me antes a pescar".
è apenas a isso que me revolta o 25 abril, porque não negociar com os colonizados uma data de saída? que desse para portugal se organizar com os milhoes de portuguese que "retornaram" mais os seus familiares?
que desse para ensinar os locais a governar? aposto que com uma data de 3 a 5 anos se poupariam muitas vidas (guerra civil pelo poder), que se conseguisse arranjar trabalho e casas para os que retornaram?
afirmo mais uma vez que não acredito que estejam melhores agora do que estavam antes.
quem veio das colónias nessa data sabe o que passou, eu passei fome mais os meus 2 irmãos e mais eramos mal vistos pelos nossos iguais portugueses, nós eramos os retornados, aqueles que vieram trazer desemprego (pois claro se já havia pouco e ainda receberem mais milhões de pessoas) e fome.
assim como fala da sua experiencia, eu falo da minha, em menos de 1 ano passo de viver muito bem em angola para passar a viver de esmolas em portugal.
não me lembro de ter estudado ou mesmo ter ouvido que os comunistas tinham bases para treinar os militares como diz, e não acredito que os capitães fizeram o golpe sozinhos, eu fui oficial dos fuzileiros durante 24 meses e das histórias que ouvi de quem viveu essa altura como militar não é bem essa história que conta, os fuzos e outras tropas especiais não se envolveram, pois se se envolvessem de certeza que haveria mortes, não era o exercito com tanques "podres da guerra" que lhes faziam frente, isto para dizer que falamos nos capitães, mas não falamos nos sargentos, praças e oficiais subalternos e mesmo superiores que fecharam os olhos, fingiram não saber o que se passava, pois estavam todos a querer a mudança de regime.
não irei falar de política, pois teria muito a falar e coisas de que discordo com o 25 abril, tais como apropriações de terra ilegais, de empresas, de nacionalizações, espancamentos de pessoas ligadas ou não á pide, etc...
quanto ás ideologias comunistas tenho as minhas opiniões...
quanto a mim este tópico encerrou, o assunto deixa-me ainda hoje triste.