Estou longe de ser a pessoa que melhor te poderia responder a isto mas, não havendo outras respostas, aqui vai, com base na informação que reuni para mim quando comecei a minha interminável aprendizagem neste fórum.
Considerei este Soladin 600, mas acabei por ir para microinversores.
Espero que alguém possa complementar e corrigir, se necessário for, a informação seguinte.
1) Deverás ler um pouco sobre os que significam as especificações dos painéis solares e dos inversores, ligações em série e em paralelo de painéis, para tu próprio poderes melhor ajuizar sobre qualquer combinação que queiras fazer, não invalidando isso que depois peças ajuda.
2) Não sei se existe mais do que uma versão do Mastervolt Soladin 600. Pelo que vi, ele aceita um input (entrada DC) de painéis desde 160 Wp até 700Wp. Contudo, ele só irá converter para AC um máximo de 600W DC, sendo que painéis até 700Wp irão produzir abaixo de 600W DC na maior parte do tempo. Painéis com pouco mais de 700Wp não será problema, desde que a tensão máxima seja respeitada, mas provavelmente serão um desperdício, até porque a corrente máxima que o Soladin vai admitir serão os 600W.
3) Esse inversor aguenta (sem danos) um input máximo de 155V, pelo que podes combinar painéis como quiseres (mas é preferível serem iguais), desde que o resultado final seja <155V.
4) Convém teres os painéis todos iguais porque, geralmente, os inversores preparados para ligar a uma só string (fileira de módulos) são mais eficientes quando todos os painéis têm características iguais.
5) O inversor tem eficiência máxima se funcionar entre 45-125V, pelo que deves combinar painéis preferencialmente dentro desta gama. Mas não te fiques perto dos mínimos da gama, para não correres o risco de nalgumas situações climatéricas acabar abaixo do mínimo, logo perdendo eficiência.
6) Deverás ligar os módulos em série, não em paralelo. Aumentas os V, ficando mais dentro da gama 45-125V e manténs-te próximo dos 8A da corrente nominal de entrada.
7) Nota que este Soladin 600 é indicado para trabalhar com painéis de 36, 54 ou 72 células. Mas ele também funciona com painéis de 60 células, sempre em série. Uma corrente na potência máxima (Impp) típica de um painel de 60 células anda à volta dos 8A. Tudo o que for acima disso (normalmente painéis de 60 células com + de 240Wp têm Impp acima de 8A), será cortado à entrada do inversor.
Claro que depois há outras considerações a ter em conta como orientações, inclinações, temperaturas, sombras, etc.. Se estiveres longe das condições ótimas que maximizam a produção, vais poder ter (podendo até ser desejável que assim seja) maior potência de painéis, pois estes nunca a vão entregar na íntegra ao inversor.
Finalmente, no site da Mastervolt tens software (SysCalc PV Design Software) que te permite testar configurações possíveis. Segundo a Mastervolt, o facto de usares 2 painéis de maior potência em vez de 3 de menor potência, origina uma perda anual nas produções muito reduzida. Essa perda é devida ao facto de trabalhares com voltagens mais reduzidas mas correntes mais elevadas (2 painéis em série dão menor voltagem que 3). Concluindo, o ideal para o Soladin 600 serão mesmo os 3 painéis.
Genericamente, para qualquer combinação painéis/inversor, deves procurar as especificações do inversor e dos painéis que te interessam e considerar o seguinte:
- Calcular a tensão mínima em condições operacionais da string de painéis (que vai ocorrer a alta temperatura, por ex. a 70ºC - Tmáx. que o painel deve atingir), por forma a que caia dentro da gama MPP do inversor.
- Calcular a tensão máxima em condições operacionais da string de painéis (que vai ocorrer a baixa temperatura, para o nosso clima, tipo 0ºC), por forma a que caia dentro da gama MPP do inversor.
- A potência máxima da string respeitar a potência máxima de input do inversor (isto não é imperativo, como vês pelo que foi dito acima e pelas próprias especificações do inversor).
- A Voc (diminui linearmente com a temperatura) máxima da string (por ex. a -10ºC: no nosso país dificilmente lá chegarás) ser inferior à tensão máx. admitida pelo inversor. Podes usar a Voc em condições de teste normalizadas (STC), que vem nas especificações dos painéis.
- A Isc (aumenta exponencialmente com a temperatura) máxima da string ser menor do que a corrente máxima admitida pelo inversor. Também aqui, isso é relativo: a sobrecorrente não é crítica, a sobretensão sim. O Soladin 600 indica uma corrente nominal, não uma corrente máxima. Ele irá limitar o excesso de corrente à entrada, logo produzir menos energia do que a que seria possível pela produção dos painéis. Assim, não convém ter uma string a exceder a corrente nominal, pois vais aumentar as perdas. Mas, para muitos módulos de 60 células, a corrente de curto circuito (Isc) será maior que 8A para uma irradiação de 1000W/m2 em STC - situação atingida com pouco frequência, mas para 800W/m2 a Isc já será menor que os 8A - situação mais frequente.
Se percebeste o exposto, deverás concluir que 1 só LG 320N1C não é adequado para o Soladin 600, pois tem uma Voc em STC de 40,9V e uma Vmpp de 33,6V, inferior ao mínimo de 45V do inversor em MPP. Em NOCT, ainda pior.
Mas também tem uma Isc e uma Impp bem maiores que os 8A, originando maiores desperdícios.
Com 2 painéis destes em série, já ficas mais à vontade em relação às tensões, mas aí vais subaproveitar um bocadinho o Soladin 600 que te aguenta bem 700Wp ou um pouco mais. O problema da corrente mantém-se muito embora a Impp em NOCT seja de 7,6A e a Isc seja de 8,1A, o que já estaria bem. Vê o seguinte quadro de combinações sugerido no manual do Soladin.

- Combinações PV Soladin.JPG (75.27 KiB) Visto 3364 vezes
Para módulos de 60 células, penso ser melhor jogar com uns que tenham um Impp de cerca de 8A, logo aí à volta de 240Wp cada, 3 em série, sendo a Voc da string próxima dos 125V. Podes começar com 2 módulos agora (1 só é que não dá) e expandir mais tarde para um terceiro.