O sonho do automóvel limpo
Enviado: terça nov 07, 2006 11:12 pm
o sonho do automóvel limpo
por mário osava*
entusiastas especialistas prevêem que em 20 anos o hidrogênio será aplicado a todo o parque automobilístico do país.
rio de janeiro - a meta de conseguir um combustível ambientalmente são e economicamente viável é quase uma obsessão no brasil. além do álcool de cana-de-açúcar, utilizado nos automóveis desde os anos 70, estão em teste, ou já em uso, hidrogênio, gás metano, óleos vegetais e várias misturas. o projeto mais importante em desenvolvimento utiliza o hidrogênio, um combustível "limpo" considerado já há cem anos a energia do futuro e cada dia mais necessário num mundo envenenado pelas emissões de derivados de petróleo.
dispõe-se de tecnologia adequada para o uso do hidrogênio como combustível de veículos, com um custo superior ao diesel mas inferior à eletricidade que move os trólebus, segundo estudos teóricos realizados entre 1997 e 2000, disse ao terramérica márcio schettino, superintendente de desenvolvimento da empresa metropolitana de transportes urbanos (emtu), de são paulo. numa segunda etapa, que começará nos próximos meses, se tentará aplicar essa tecnologia ao uso comercial. oito ônibus de linha utilizando hidrogênio irão circular durante quatro anos na cidade de são paulo, até completarem um milhão de quilômetros rodados.
o número de veículos em teste poderia aumentar, em seguida, para cem ou 200, se o sistema demonstrar eficiência. isto é, se a tecnologia obtida no laboratório funcionar nas ruas e se o custo calculado for confirmado. o projeto do ministério de minas e energia, executado pela emtu, é um dos mais avançados do mundo em sua área, afirma schettino. conta com recursos do governo brasileiro, do fundo mundial para o meio ambiente (gef, sigla em inglês) e com a cooperação técnica do programa das nações unidas para o desenvolvimento. o novo ônibus é elétrico e obtém energia de células do combustível, a partir de um gerador de eletricidade que transforma o hidrogênio e que será incorporado ao veículo.
o maior problema é produzir o hidrogênio, que não se encontra em estado livre na natureza. é necessário obtê-lo a partir da água, por um processo de eletrólise que consome muita energia e dificulta a viabilidade econômica e ambiental da idéia. os técnicos brasileiros pretendem realizar o processo de eletrólise durante a madrugada, quando é menor o consumo e o preço da eletricidade que dever ser utilizada. o hidrogênio terá um custo competitivo por volta de 2007, e dentro de 20 anos será aplicado a 25% do parque automobilístico, segundo os especialistas.
o "diesel ecológico"
a cidade de curitiba busca alternativas imediatas para o meio ambiente urbano. trinta ônibus circulam, desde dezembro, pela capital paranaense, de 1,3 milhão de habitantes, utilizando "diesel ecológico". trata-se de uma mistura do diesel tradicional com uma proporção de 11,2% de álcool anidro e 2,6% de um aditivo denominado aep-102, derivado da soja.
testes anteriores com dois ônibus, que rodaram cerca de cem mil quilômetros com essa mistura, registraram emissão de partículas 43% inferior à de veículos movidos a diesel convencional, disse ao terramérica élcio luiz karas, gerente da empresa urbanização de curitiba, encarregada do transporte na cidade. o objetivo é ampliar, de forma gradual, o uso dessa mistura para os 2200 ônibus da frota regular de passageiros de curitiba.
entretanto, o "diesel ecológico" prejudica o sistema de injeção eletrônica de combustível dos veículos, admite karas. além disso, reduz em apenas 0,7% a emissão de dióxido de carbono, o gás de maior impacto entre os que provocam o efeito estufa. no rio de janeiro, quase todos os táxis usam gás metano, combustível mais econômico do que a gasolina. as vantagens ambientais se perdem, no entanto, porque a adaptação malfeita do veículo para o uso do gás metano inutiliza o controle eletrônico do motor, previsto para reduzir a emissão de gases, explicou manuel paulo de toledo, gerente da companhia estadual de tecnologia de saneamento ambiental (cetesb), de são paulo.
cerca de 250 ônibus utilizam gás metano em são paulo, metrópole de alta poluição atmosférica. há automóveis expressamente fabricados para utilizarem esse gás, mas seu custo adicional duplica o da adaptação de um veículo em oficinas mecânicas que utilizam peças baratas e antiecológicas, lamentou toledo. o álcool de cana-de-açúcar, por sua vez, chegou a ser, nos anos 80, o combustível de mais de 90% dos automóveis fabricados no brasil. o programa, iniciado após a crise do petróleo de 1973, quase desapareceu com o fim dos subsídios que os mantinha e devido à instabilidade do fornecimento e, por fim, por causa dos preços.
quando a cotação do açúcar sobe, as empresas do setor abandonam a produção de álcool, já que a matéria-prima, a cana-de-açúcar, é comum aos dois produtos. agora, o programa de álcool combustível pode ser reativado e voltar aos níveis da década de 80, impulsionado pela necessidade de se reduzir os gases que causam o efeito estufa, que provoca o aquecimento da terra, afirma suzana kahn ribeiro, pesquisadora da universidade federal do rio de janeiro.
o álcool combustível libera alguns gases, que são absorvidos pelos cultivos de cana-de-açúcar. sua produção poderia ser, então, financiada pelo mecanismo de desenvolvimento limpo (mdl), previsto no protocolo de kyoto (1997) da convenção marco de mudança climática, segundo um projeto do qual suzana é co-autora. embora ainda não esteja definido por completo, o mdl é um mecanismo pelo qual um país industrializado pode cumprir seus compromissos de reduzir emissões através do financiamento de um projeto limpo no sul.
por mário osava*
entusiastas especialistas prevêem que em 20 anos o hidrogênio será aplicado a todo o parque automobilístico do país.
rio de janeiro - a meta de conseguir um combustível ambientalmente são e economicamente viável é quase uma obsessão no brasil. além do álcool de cana-de-açúcar, utilizado nos automóveis desde os anos 70, estão em teste, ou já em uso, hidrogênio, gás metano, óleos vegetais e várias misturas. o projeto mais importante em desenvolvimento utiliza o hidrogênio, um combustível "limpo" considerado já há cem anos a energia do futuro e cada dia mais necessário num mundo envenenado pelas emissões de derivados de petróleo.
dispõe-se de tecnologia adequada para o uso do hidrogênio como combustível de veículos, com um custo superior ao diesel mas inferior à eletricidade que move os trólebus, segundo estudos teóricos realizados entre 1997 e 2000, disse ao terramérica márcio schettino, superintendente de desenvolvimento da empresa metropolitana de transportes urbanos (emtu), de são paulo. numa segunda etapa, que começará nos próximos meses, se tentará aplicar essa tecnologia ao uso comercial. oito ônibus de linha utilizando hidrogênio irão circular durante quatro anos na cidade de são paulo, até completarem um milhão de quilômetros rodados.
o número de veículos em teste poderia aumentar, em seguida, para cem ou 200, se o sistema demonstrar eficiência. isto é, se a tecnologia obtida no laboratório funcionar nas ruas e se o custo calculado for confirmado. o projeto do ministério de minas e energia, executado pela emtu, é um dos mais avançados do mundo em sua área, afirma schettino. conta com recursos do governo brasileiro, do fundo mundial para o meio ambiente (gef, sigla em inglês) e com a cooperação técnica do programa das nações unidas para o desenvolvimento. o novo ônibus é elétrico e obtém energia de células do combustível, a partir de um gerador de eletricidade que transforma o hidrogênio e que será incorporado ao veículo.
o maior problema é produzir o hidrogênio, que não se encontra em estado livre na natureza. é necessário obtê-lo a partir da água, por um processo de eletrólise que consome muita energia e dificulta a viabilidade econômica e ambiental da idéia. os técnicos brasileiros pretendem realizar o processo de eletrólise durante a madrugada, quando é menor o consumo e o preço da eletricidade que dever ser utilizada. o hidrogênio terá um custo competitivo por volta de 2007, e dentro de 20 anos será aplicado a 25% do parque automobilístico, segundo os especialistas.
o "diesel ecológico"
a cidade de curitiba busca alternativas imediatas para o meio ambiente urbano. trinta ônibus circulam, desde dezembro, pela capital paranaense, de 1,3 milhão de habitantes, utilizando "diesel ecológico". trata-se de uma mistura do diesel tradicional com uma proporção de 11,2% de álcool anidro e 2,6% de um aditivo denominado aep-102, derivado da soja.
testes anteriores com dois ônibus, que rodaram cerca de cem mil quilômetros com essa mistura, registraram emissão de partículas 43% inferior à de veículos movidos a diesel convencional, disse ao terramérica élcio luiz karas, gerente da empresa urbanização de curitiba, encarregada do transporte na cidade. o objetivo é ampliar, de forma gradual, o uso dessa mistura para os 2200 ônibus da frota regular de passageiros de curitiba.
entretanto, o "diesel ecológico" prejudica o sistema de injeção eletrônica de combustível dos veículos, admite karas. além disso, reduz em apenas 0,7% a emissão de dióxido de carbono, o gás de maior impacto entre os que provocam o efeito estufa. no rio de janeiro, quase todos os táxis usam gás metano, combustível mais econômico do que a gasolina. as vantagens ambientais se perdem, no entanto, porque a adaptação malfeita do veículo para o uso do gás metano inutiliza o controle eletrônico do motor, previsto para reduzir a emissão de gases, explicou manuel paulo de toledo, gerente da companhia estadual de tecnologia de saneamento ambiental (cetesb), de são paulo.
cerca de 250 ônibus utilizam gás metano em são paulo, metrópole de alta poluição atmosférica. há automóveis expressamente fabricados para utilizarem esse gás, mas seu custo adicional duplica o da adaptação de um veículo em oficinas mecânicas que utilizam peças baratas e antiecológicas, lamentou toledo. o álcool de cana-de-açúcar, por sua vez, chegou a ser, nos anos 80, o combustível de mais de 90% dos automóveis fabricados no brasil. o programa, iniciado após a crise do petróleo de 1973, quase desapareceu com o fim dos subsídios que os mantinha e devido à instabilidade do fornecimento e, por fim, por causa dos preços.
quando a cotação do açúcar sobe, as empresas do setor abandonam a produção de álcool, já que a matéria-prima, a cana-de-açúcar, é comum aos dois produtos. agora, o programa de álcool combustível pode ser reativado e voltar aos níveis da década de 80, impulsionado pela necessidade de se reduzir os gases que causam o efeito estufa, que provoca o aquecimento da terra, afirma suzana kahn ribeiro, pesquisadora da universidade federal do rio de janeiro.
o álcool combustível libera alguns gases, que são absorvidos pelos cultivos de cana-de-açúcar. sua produção poderia ser, então, financiada pelo mecanismo de desenvolvimento limpo (mdl), previsto no protocolo de kyoto (1997) da convenção marco de mudança climática, segundo um projeto do qual suzana é co-autora. embora ainda não esteja definido por completo, o mdl é um mecanismo pelo qual um país industrializado pode cumprir seus compromissos de reduzir emissões através do financiamento de um projeto limpo no sul.