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Subsidiar tecnologias maduras?

Enviado: sexta ago 05, 2011 12:40 am
por bcarmona
Subsidiar tecnologias maduras?
Uma dos pontos abordados pela DECO quando avançou com a petição de alerta para a excessiva subsidiação de energias renováveis foi a estratégia de se viabilizar pela criação de regimes especiais energias que já estão em fase de cruzeiro. Apesar de todo o sector das novas energias renováveis ser alvo de subsídios ou incentivos a maior parte delas não são ideias novas, não integram know-how ou mão-de-obra nacional e não representam vantagem competitiva para a economia portuguesa.

Turbinas eólicas
A energia eólica é a energia da moda, e tida por muito como o futuro da produção eléctrica. Só que a obtenção de electricidade a partir do vento nada tem de novo, já existe desde 1888. E até as mais comuns hoje em dia Horizontal Axis Wind Turbines (HAWT) já existem desde 1941. Muitos dirão que as modernas HAWT nada têm que ver com as primeiras. Correcto, e os reactores nucleares ou as turbinas a vapor das centrais termoeléctricas têm? A energia eólica é contemporânea da energia nuclear e a sua subsidiação não pode ser justificada pela imaturidade da sua tecnologia. As turbinas actuais podem ter mais potência e serem mais eficientes do que as anteriores mas essa é uma evolução porque estão a passar todas as outras formas de produção de energia eléctrica. A energia eólica será tão concorrencial daqui a 100 anos quanto o é hoje. A desvantagem da energia eólica está na imprevisibilidade e incapacidade de controlar o vento e isso era verdade há 100 anos atrás e continuará a ser no século XXII. Alimentar a energia eólica com subsídios na esperança de que se torne um dia competitiva é um exercício de fé e um monumental desperdício de dinheiro.

Carro eléctrico
Pelo renascimento recente do interesse no carro eléctrico muitas pessoas pensam que ele é novo mas na verdade o carro eléctrico é tão antigo como o próprio carro. Na verdade, mais antigo do que o carro de motor de combustão interna. No começo do século XX, os EUA, país onde os carros eléctricos mais popularidade atingiram, os carros eléctricos representavam 40% do parque, tanto quantos os carros a vapor, e os carros a gasolina valiam apenas 20% do parque.

Os carro eléctricos eram apreciados pela facilidade com que se colocava em funcionamento, ausência de ruído ou fumo. A performance era diminuta e a autonomia também pelo que eram mais usados dentro das cidades. Como se entende, as vantagens e desvantagens do carro eléctrico de hoje não são muito diferentes das de há um século atrás. Até o conceito Better Place dinamarquês em que se troca as baterias numa estação de reabastecimento já existia nos EUA em 1896. Nada de novo portanto em relação aos carros eléctricos do Século XXI.

Com a evolução da tecnologia de motores Otto e Diesel, a descoberta de mais petróleo e a construção de estradas mais longas que motivou viagens cada vez maiores, o carro eléctrico perdeu competitividade e praticamente desapareceu. Então porquê o ressurgimento? Acima de tudo pela perspectiva de que o preço do petróleo torne a utlização dos automóveis convencionais mais onerosa e, consequentemente, os eléctricos mais apetecíveis. Mas também os incentivos dados por alguns países, nomeadamente aqueles que vêem nos carros eléctricos uma forma de armazenar energia eólica em excesso. Incentivos esses que mascaram aquilo que é sabido desde há 100 anos, que os carros eléctricos não são competitivos face aos equipados com motores de combustão interna. Os defensores dos carros eléctricos alegam que a tecnologia dos carros eléctricos vai evoluir a ponto de os tornar propostas aliciantes no seu desempenho e preço. E os carros de combustão interna, vão estagnar? A história não tem mostrado o extraordinário progresso do automóvel convencional?

O carro eléctrico poderá tornar-se, um dia, uma alternativa viável, ninguém sabe. Vai depender de conjunturas externas (preço do crude, consumos de carros de combustão interna) e da própria evolução da tecnologia das baterias. Com esta incerteza e sabendo que a massificação do carro eléctrico não acontecerá nesta década que interesse estratégico para Portugal pode resultar dos benefícios únicos que gozam desde já? Quanto a mim só a necessidade de criar armazenamento extra para mais energia eólica.

http://luzligada.blogspot.com/2011/08/s ... duras.html

Re: Subsidiar tecnologias maduras?

Enviado: sexta ago 05, 2011 10:17 am
por fpereirainventor
Como nas outras coisas todas, também na área das energias renováveis tem sido cometidos erros e contratos à "Portuguesa”. As energias renováveis e os seus envolvidos são deste mundo. O mesmo mundo em que é feito um orçamento para uma obra pública que no final fica substancialmente mais cara, assim como parcerias público-privadas em que o estado faz parte do investimento para entregar depois a administração gestão que acaba por ficar mais cara e o preço para o utente também.

È também deste mundo:
- A iniciativa privada tão boa que com o aumento da concorrência os preços baixam (háhaha).

- Que a especulação financeira e os seus mercados funcionam em sintonia com a realidade das empresas cotadas e não o contrário.

- Em que existem milhões de pessoas e famílias que sobrevivem com menos de € 500,00 mensais.

- Que os mais “inteligentes” (pessoal altamente expedito em cabular e copiar) desaprenderam a ter escrúpulos e se for preciso prescrevem uma receita médica de uma determinada marca para ganharem um LCD, torradeira ou umas férias disfarçadas de congresso.

- Os futuros Juízes cabulam e copiam à força toda, como a maioria dos estudantes Universitários e pós-Universitários, é uma “superioridade” que lhes fica para o resto da vida inteira.

- Alguns padres, bispos, etc, cometem crimes (ou pecados para quem seja crente) deploráveis sobre as crianças que circundam às “portas de Deus”.

- Se não tiveres dinheiro para pagares à industria da saúde sujeitas-te a morrer á beira de uma valeta.

- Os “nossos” filhos tem brinquedos cujo preço dariam para evitar a morte à fome de várias crianças em Africa.

- etc, etc, infelizmente humanidades (esta é que é a verdadeira humanidade) há a rogos, mas pronto estes são males menores e insignificantes perante a ganância desmedida das pessoas e políticos podres que se aproveitam das energias renováveis.

É lógico que o pessoal que defende o Nuclear é de outro mundo, não é da mesma mer.., não há subsídios, o estado não compensa em nada o investimento, não tem nenhuma ligação a lobys políticos. Enfim, tudo gente muito boa que transcende as “portas do Deus e do Céu”.

Falando menos a sério, ou da forma menos real, mas conveniente, quem pagou os avultados custos de desenvolvimento da energia nuclear foram os Estados. Enquanto que nas energias renováveis, não tem grande uso militar, foram na sua grande parte as empresas investidoras. Pesquisa melhor e refaz as contas estás mais que ligeiramente enganado.

Não quer isto dizer que compactuo ou aceito o que se passa nas energias renováveis, antes pelo contrário, este tipo de comportamento banal e generalizado, a todas as áreas, prejudicam muito o desenvolvimento das proprias energias renovéveis, em especial a eólica.

Cumprimentos e boas evoluções.
F.P.

Re: Subsidiar tecnologias maduras?

Enviado: sexta ago 05, 2011 3:28 pm
por bcarmona
Concordaria que se tivesse, a seu tempo, investido dinheiro público na pesquisa e desenvolvimento de energia eólica em Portugal. Seria um sector estratégico que Portugal podia desenvolver. Essa é aliás uma crítica que muitos fazem (eu também no meu blog) à forma como foi implementado o uso de energia eólica em Portugal. Ao contrário da Dinamarca, Alemanha e Espanha que desenvolveram uma indústria eólica Portugal limitou-se a importar turbinas. Mas investir em desenvolvimento não é subsidiar produção. Hoje em dia vamos tarde pois os chineses estão a tomar conta do mercado das turbinas para além de que quase todo o parque nacional está instalado.

França, China ou Coreia do Sul investem dinheiro público na pesquisa nuclear? Fazem muito bem. É um sector estratégico para estes países. Fonte de exportação e criação de riqueza.

Re: Subsidiar tecnologias maduras?

Enviado: sexta ago 05, 2011 5:10 pm
por fpereirainventor
Estou completamente de acordo consigo mas de forma mais abrangente, considerando todas as outras áreas, em que se passa o mesmo, senão pior?!

Infelizmente somos tão “estúpidos” que nem consegui-mos aprender com os erros dos mais desenvolvidos, temos de os repetir também.

Gostava de saber o que lhe levou a crer que as energias renováveis, em especial a energia eólica, são uma espécie de santo graal em relação a todas as outra áreas socioeconómicas, se nem as actividades religiosas o conseguem ser.

Contudo, os erros e as más decisões são para se rectificarem, jamais devem ser justificados com outros erros. Proponho analisar-mos a concessão de auto estradas em especial as scuts, tenho a certeza, muito infelizmente, que se vão encontrar buracos maiores.

Olhe, não me parece que “satanás viva” num mundo de energias renováveis, parece-me mais de combustíveis fósseis a queimar oxigénio e upgreidando talvez, actualmente, nuclear.

Estou numa espécie de férias.
Cumprimentos
F.P.