Re: SAUDE
Enviado: sábado ago 06, 2011 6:01 pm
Portugal líder nos transplantes
06/08/2011
Desde 1994 que todos os portugueses são dadores de órgãos. É um automatismo criado por lei que só aceita excepções através de uma inscrição no Registo Nacional de não Dadores, passo dado por 37 mil pessoas, migalha numa população de mais de dez milhões. E até esse número tem diminuído, pois as campanhas de sensibilização conseguiram que houvesse gente a mudar de opinião e a ingressar também na massa de dadores.
Perante este quadro, não admira que Portugal esteja entre os melhores do mundo ao nível dos transplantes. E com uma eficácia que não pára de crescer: por exemplo, só nos primeiros seis meses de 2011, foram feitos tantos transplantes de pâncreas como em todo o ano passado. E, comparando períodos homólogos, também houve progressos significativos nos transplantes do rim (11%) e do pulmão (60%). Mais uma área em que o Serviço Nacional de Saúde português consegue padrões de qualidade ao nível do melhor que existe no mundo.
Mas há uma realidade que não poderá ser nunca ultrapassada: a insuficiência de órgãos para as necessidades da população, uma regra global. Por exemplo, no ano passado havia em Portugal quase duas mil pessoas à espera de um transplante renal. Um aumento da eficácia do sistema de saúde permitirá aliviar a pressão do número de doentes, mas com limites. Por isso se fala tanto na imprensa internacional do tráfico de órgãos, com gente pobre a vender um rim por um punhado de dólares, como foi o recente caso de um chinês, que respondeu a um anúncio na Internet e com o dinheiro comprou um iPad 2. Na Índia multiplicam-se os casos de homens que vendem o rim para sustentar a família, com as mafias a lucrarem com o desespero dos doentes.
Na Suécia, país rico, uma sondagem dava 22% a considerar certo o pagamento de um rim. É um número surpreendente, mas que não contraria o essencial: eticamente, salvar uma vida não pode jamais depender de dinheiro. E por isso a doação tem de obedecer as regras transparentes, aceitáveis por todos como justas. E essas regras, conjugadas com a resposta hospitalar, têm de ser a solução, mesmo que insuficiente à luz da actual ciência médica. Portugal está no bom caminho.
http://www.dn.pt/inicio/opiniao/editori ... id=1947020
06/08/2011
Desde 1994 que todos os portugueses são dadores de órgãos. É um automatismo criado por lei que só aceita excepções através de uma inscrição no Registo Nacional de não Dadores, passo dado por 37 mil pessoas, migalha numa população de mais de dez milhões. E até esse número tem diminuído, pois as campanhas de sensibilização conseguiram que houvesse gente a mudar de opinião e a ingressar também na massa de dadores.
Perante este quadro, não admira que Portugal esteja entre os melhores do mundo ao nível dos transplantes. E com uma eficácia que não pára de crescer: por exemplo, só nos primeiros seis meses de 2011, foram feitos tantos transplantes de pâncreas como em todo o ano passado. E, comparando períodos homólogos, também houve progressos significativos nos transplantes do rim (11%) e do pulmão (60%). Mais uma área em que o Serviço Nacional de Saúde português consegue padrões de qualidade ao nível do melhor que existe no mundo.
Mas há uma realidade que não poderá ser nunca ultrapassada: a insuficiência de órgãos para as necessidades da população, uma regra global. Por exemplo, no ano passado havia em Portugal quase duas mil pessoas à espera de um transplante renal. Um aumento da eficácia do sistema de saúde permitirá aliviar a pressão do número de doentes, mas com limites. Por isso se fala tanto na imprensa internacional do tráfico de órgãos, com gente pobre a vender um rim por um punhado de dólares, como foi o recente caso de um chinês, que respondeu a um anúncio na Internet e com o dinheiro comprou um iPad 2. Na Índia multiplicam-se os casos de homens que vendem o rim para sustentar a família, com as mafias a lucrarem com o desespero dos doentes.
Na Suécia, país rico, uma sondagem dava 22% a considerar certo o pagamento de um rim. É um número surpreendente, mas que não contraria o essencial: eticamente, salvar uma vida não pode jamais depender de dinheiro. E por isso a doação tem de obedecer as regras transparentes, aceitáveis por todos como justas. E essas regras, conjugadas com a resposta hospitalar, têm de ser a solução, mesmo que insuficiente à luz da actual ciência médica. Portugal está no bom caminho.
http://www.dn.pt/inicio/opiniao/editori ... id=1947020


