Autarquias pedem união pelo ambiente

Para assuntos relacionados com o meio ambiente que não tenham nenhuma relação com energias.
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serges
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Autarquias pedem união pelo ambiente

Mensagem por serges »


a assembleia e a câmara municipal de sines promoveram, a 6 de junho, a conferência “pacto para a saúde e o ambiente”, no âmbito das comemorações dos 25 anos da greve verde. no decorrer do encontro, empresas e entidades públicas deram conta do cenário que a região vive em termos ambientais. no fi nal, a organização apelou à união de esforços para a preservação destes valores.



a iniciativa decorreu ao longo de todo o dia, no auditório do centro de artes de sines, sentando à mesma mesa autarcas, representantes de empresas e entidades públicas, cientistas e estudiosos. do lado da plateia, escutavam algumas dezenas de interessados. a conferência procurou responder aos objectivos inicialmente propostos, que passavam por: partilha de informação e debate sobre questões de saúde pública e ambiente à escala do concelho; conhecimento acerca da evolução das emissões de poluição e das práticas ambientais das maiores empresas do complexo industrial e portuário; reflexão sobre o papel das entidades responsáveis na matéria; e identifi cação de oportunidades de cooperação e sinergias para implementar processos e políticas tendo em vista a redução de emissões, a protecção da saúde e a monitorização contínua do ambiente e da saúde pública. o painel da manhã, dedicado às “emissões de poluentes e risco industrial” contou com as exposições de diversos responsáveis de empresas e indústrias da região, como a repsol, a galp, a edp, a administração do porto de sines, a ren atlântico e a águas de santo andré, que deram conta das respectivas estratégia de combate à poluição e projectos a concretizar na área. também o presidente da comissão executiva da apiparques, francisco nunes e sá, participou, destacando a importância de sines na promoção do alentejo, onde também constam como atractivos a barragem do alqueva, o aeroporto de beja, a agroindústria e o turismo. o responsável notou que “sines tem um enorme potencial do ponto de vista dos investimentos”, frisando o esforço que tem sido feito por aquela entidade para encontrar potenciais interessados em desenvolver novas áreas. nos últimos tempos, como recordou, sines tem sido procurado por investidores do ramo automóvel, energias alternativas e produção de biocombustíveis onde, de resto, já foram fechados alguns negócios. no quadro dos projectos de interese nacional (pin) no alentejo, o concelho de sines aparece com quatro investimentos nas áreas da química e energias, que somam 1.260 milhões de euros e geram 295 postos de trabalho no seu conjunto. uma das apostas da api (agência portuguesa para o investimento) tem sido, segundo o representante, a promoção da “marca zal” (zona de actividades logísticas) no estrangeiro, para a qual estão reservados 45 hectares de terreno. durante a tarde, foram discutidos os temas “investigação e conhecimento científi co sobre a relação entre a saúde e o ambiente: passado, presente e futuro”, intervenções da sociedade civil na protecção do direito à saúde e ambiente” e “políticas e intervenções da administração pública” na mesma matéria. na ocasião, joão castro, do laboratório de ciências do mar (ciemar) da universidade de évora, enumerou as principais ameaças ao ambiente marinho. a poluição, a pesca mal gerida e a exploração de petróleo e gás natural são alguns dos factores que se encontram nesta lista. no caso particular de sines, o biólogo referiu algumas situações de poluição marinha aguda, entre as quais a maré negra resultante do acidente do navio marão, em 1989, bem como as obras de engenharia no porto de sines, molhes da central termoeléctrica da edp e emissário submarino da estação de tratamento de águas residuais (etar) da ribeira de moinhos. deste rol constam ainda o despejo de águas residuais industriais (provenientes da etar e da estação de tratamento de águas de lastro do porto) e um episódio recente (18 de maio) de lama oleosa encontrada em redes de pesca, ao largo de vila nova de milfontes. joão castro lembrou também os problemas de poluição crónica que, de acordo com estudos realizados pelo ciemar, se verifi cam na região de sines. entre eles estão as águas de arrefecimento/aquecimento da central da edp, as águas residuais domésticas/urbanas no porto, cabo de sines e porto covo, e as operações portuárias e de navegação. já francisco ferreira, vice-presidente da quercus, defendeu, ao nível da qualidade do ar, a necessidade de “investigar os poluentes que causam problemas de saúde às pessoas, para ver até que ponto é possível minimizá-los”. o ambientalista referiu ainda que a poluição atmosférica com origem em sines é sentida também em algumas zonas do sotavento algarvio e baixo alentejo e apelou à constituição de uma comissão de acompanhamento da situação, “partindo de uma lógica de participação voluntária”, onde se incluam representantes da sociedade civil. a conferência culminou com uma mesa redonda, onde intervieram representantes de várias entidades envolvidas nas questões da saúde e do ambiente.

“base de partida”

a representar as autarquias locais, os presidentes da assembleia e câmara municipal de sines, francisco pacheco manuel coelho, lembraram a necessidade de diversifi car as indústrias a laborar no complexo, “uma questão que se colocava há mais de duas décadas e ainda hoje se mantém actual”. para manuel coelho, a “chave do desenvolvimento de sines” passa pela diversificação das suas actividades industriais e por “romper com o ciclo das energias fósseis”. francisco pacheco considerou que a saúde o ambiente são “o denominador comum que irão decidir o futuro” de sines e pugnou pela redefi nição do rumo do complexo industrial, apostando mais no turismo, “uma fi leira económica muito interessante”, assim como no turismo de negócios e científi co. reiterando que “a poluição não é uma fatalidade”, manuel coelho afi rmou que “há condições para resolver devida e defi nitivamente os problemas”, através da conjugação de esforços entre os diferentes agentes envolvidos. o autarca frisou a importância do projecto de gestão integrada para a saúde e o ambiente (gisa), que o município porá em prática ainda este ano, em conjunto com as grandes empresas a operar na região. com a implementação deste sistema, assegurou, “sines passará a ser o território mais bem estudado e com mais ferramentas para o estudo do ambiente”. no final, ambos voltaram a referir a importância de uma “acção conjunta entre as diferentes entidades” para atingir os objectivos propostos, “assumindo, cada um, os compromissos necessários para as coisas melhorarem”. francisco pacheco considerou que a conferência constituiu uma “base de partida para outras discussões e entendimentos” em torno destas questões. já manuel coelho evocou o protesto de há 25 anos, “uma luta exemplar”, mas contrariou “o discurso de que a situação hoje está igual ou pior”. o autarca considerou “incompreensível” a ausência de representantes dos ministérios da saúde e do ambiente, convidados para presidir e encerrar a conferência.

in jornal regional
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